A luta de minorias sociais por espaço no Parlamento

A afirmação de que o Parlamento é a casa do povo revela-se uma falácia quando analisamos a sub-representação de grupos que realmente representam a diversidade brasileira, como negros e mulheres. Com mais de 80% do Congresso formado por homens, em sua maioria brancos, apenas 18% das cadeiras estão ocupadas por mulheres, enquanto 24% são ocupadas por cidadãos negros, em contraste com a presença significativa desses grupos na população.
Apesar dessa disparidade, movimentos sociais em todo o país têm se mobilizado a cada eleição para conquistar maior representação. Em 2026, a competição se intensifica, principalmente devido ao crescimento de bancadas da extrema-direita, enquanto minorias sociais lutam por seus espaços políticos.
✨ Cerca de 63,33% dos candidatos ao pleito deste ano se autodeclararam negros, e as mulheres correspondem a 34,8% das candidaturas.
A cientista política Larissa Peixoto alerta que a representação tradicional no Congresso não atende às necessidades da população, enfatizando que as pautas ali aprovadas não refletem a diversidade nacional. A luta feminista e a pressão por mais representação negra se intensificam, com ênfase não apenas na quantidade, mas na qualidade e compromisso dessas candidatas.
"A transformação da representação política depende da eleição de mulheres que realmente busquem erradicar as desigualdades estruturais
Desde 2019, iniciativas como a Coalizão Negra por Direitos têm promovido ações para aumentar a visibilidade de candidatos negros nas eleições. Este ano, o projeto Quilombo nos Parlamentos conta com mais de cem candidaturas, além da plataforma Voto Antirracista, que busca engajar eleitores sob a temática racial.
Embora a legislação eleitoral exija que partidos destinem 30% de seus recursos para as candidaturas de minorias, há uma clara desigualdade no acesso a esses fundos, levando a uma representação ainda frágil no Legislativo.
Com 191 candidaturas indígenas e 514 LGBTQIA+, estas minorias também lutam por maior representação política. A nova legislação contempla os indígenas com um percentual dos fundos eleitorais proporcional ao número de candidaturas.
O desafio é imenso, mas a presença de candidaturas de diversos grupos é uma esperança de mudança nas dinâmicas políticas. A participação ativa de representantes LGBTQIA+ é vista como crucial para a formulação de políticas inclusivas e justas.
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Jornalista especializado em Política

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