Medida proíbe operação das plataformas de apostas no Brasil e critica clubes de futebol.

Em uma cerimônia realizada em São Paulo, o presidente Lula (PT) comparou a evolução das apostas online no Brasil ao crescimento do crack no país. Durante a assinatura da medida provisória que proíbe a operação das plataformas de apostas, o presidente citou relatos de pessoas endividadas que o lembraram dos primeiros dias da epidemia da droga.
"Pedi para convocar oito pessoas que estavam devendo na bet para conversar e fiz uma reunião. Tem coisa que é estarrecedora. Me lembrou um pouco o começo do crack neste País", afirmou Lula, destacando que mães de jovens dependentes de crack lhe contavam que seus filhos vendiam seus pertences para financiar o vício.
✨ A medida proíbe a operação das plataformas de apostas no Brasil, com prazo para retirada de valores até 5 de outubro.
Lula enfatizou que a popularização das apostas por meio de celulares levou esses jogos para dentro das residências, afirmando que a sociedade se tornou "absolutamente desprotegida". Ele criticou a contradição de um país que era contra cassinos, mas que agora acolhe esse tipo de jogo em casa.
O presidente alertou que as apostas têm um efeito destrutivo, comparando-as a um "câncer" que deve ser removido antes que cause danos irreversíveis. A medida já publicada impede que as plataformas aceitem novos depósitos e estabelece que os apostadores terão até 23h59 do dia 5 de outubro para retirar seus valores.
Além disso, ele criticou os clubes de futebol que se opõem à proibição das apostas, ressaltando que a presença das bets nos uniformes e nas transmissões de jogos se tornou alarmante. Na Série A do Campeonato Brasileiro, 13 dos 20 times têm contratos publicitários com valores estimados em 1,1 bilhão de reais para 2026.
Lula ainda declarou que, para os clubes, a necessidade de investimentos não deve ser um argumento para continuar a parceria com plataformas de apostas. O governo também enviará um projeto de lei ao Congresso para criar crimes relacionados às apostas online, com penas que vão de dois a seis anos de prisão para diferentes envolvidos.
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Jornalista especializado em Política

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