Lula deve rever tributação para combater desigualdade, diz economista
Laura Carvalho destaca a necessidade de avançar na taxação de riqueza

A economista Laura Carvalho, professora da FEA-USP e membro do 'Conselhão' de Lula, defende uma revisão da tributação de riqueza como solução para a desigualdade no Brasil. Ela destaca que, apesar da queda do desemprego a 5,6% e da saída de milhões da pobreza, a insatisfação popular permanece alta.
Em um recente artigo em coautoria com Guilherme Klein Martins, Carvalho analisa a crescente desconexão entre os bons indicadores econômicos e a percepção negativa da economia por parte da população. Quase metade dos entrevistados em um estudo recente acredita que a economia piorou nos últimos meses.
✨ Mesmo com crescimento econômico e redução da pobreza, Brasil enfrenta forte insatisfação popular.
Carvalho identifica quatro fatores principais para essa insatisfação: os efeitos persistentes da inflação, a comparação com a melhoria social dos anos 2000, as novas aspirações de consumo, especialmente impulsionadas pelas redes sociais, e um geração de jovens escolarizados buscando empregos de qualidade.
A Influência das Redes Sociais
A crescente influência das redes sociais sobre o consumo gerou um fenômeno de 'consumo aspiracional', onde as pessoas começam a comparar suas vidas com padrões de consumo de classes mais altas, alimentando uma sensação de insatisfação, segundo Carvalho.
Com a percepção de que a prosperidade da primeira era Lula incluía um acesso inédito ao consumo, agora uma nova classe média sente-se insatisfeita com as ofertas contemporâneas.
✨ Carvalho sugere taxação de riqueza para reduzir a desigualdade e restaurar a equidade no sistema político.
A economista enfatiza que o Estado brasileiro, ao administrar a dívida pública, acaba transferindo renda para os mais ricos, perpetuando a desigualdade. Ela ressalta a necessidade de uma reforma tributária mais abrangente, que inclua a taxação de riqueza e não apenas a renda.
Contexto
A desigualdade no Brasil permanece entre as mais altas do mundo, apesar dos elevados gastos com políticas sociais nos últimos anos.
Carvalho adverte que a insatisfação econômica está ligada a uma percepção negativa em relação ao futuro. Para reverter esse quadro, é vital promover um crescimento econômico robusto e uma necessidade de melhorar os serviços públicos.
A expansão dos serviços públicos pode ser financiada por uma agenda tributária mais efetiva, que aumente a eficiência do gasto e diminua a desigualdade estruturais.
- 1Reforma tributária abrangente
- 2Expansão de serviços públicos
- 3Diversificação da economia
- 4Educação alinhada às demandas do mercado
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