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Lula não avança com estatal na mineração apesar de pressão do Congresso

A proposta de criação de empresa pública enfrenta obstáculos políticos e pressões externas

Giovani Ferreira30 de abril de 2026 às 16:30
Lula não avança com estatal na mineração apesar de pressão do Congresso

O presidente Lula é pressionado a utilizar as riquezas minerais do Brasil como um motor para revitalizar a indústria nacional, mas hesita em apoiar a criação de uma estatal para esse fim.

Embora haja respaldo da opinião pública para uma postura mais ativa e um envolvimento maior do Estado na indústria mineral, a proposta enfrenta resistência tanto no Legislativo quanto na relação com o governo dos EUA.

Desafios e oportunidades

A situação política atual no Brasil, com um Congresso majoritariamente de direita, tem dificultado a implementação de uma empresa estatal que lideraria o processo de industrialização na mineração. O governo tem priorizado negociações para aprovar um projeto que atende diretamente os interesses do setor privado.

A proposta que avança no Legislativo foi elaborada pelas mineradoras e conta com o apoio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O texto, que propõe a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, está sendo apresentado por Arnaldo Jardim e busca reorganizar os leilões de áreas exploratórias sob a supervisão da Agência Nacional de Mineração. Há promessas de incentivos financeiros significativos para estimular a transformação do minério.

Contexto

O Brasil possui cerca de 10% das reservas mundiais de minerais críticos, incluindo nióbio e terras-raras, mas a maior parte de suas riquezas ainda não foi explorada de forma sustentável.

As críticas ao projeto proposto por Jardim incluem preocupações sobre a manutenção do modelo de exploração mineral que historicamente gera poucos empregos e deixa sérios passivos ambientais, o que reflete a resistência interna entre os servidores do governo.

Adicionalmente, a compra da mina Serra Verde por uma mineradora americana gerou preocupações sobre a perda de controle nacional sobre recursos estratégicos, suscitando ações no Supremo Tribunal Federal contra essa transação.

Enquanto isso, alternativas estatais em outros países, como a Indonésia e o Chile, mostram como uma abordagem agressiva pode levar ao fortalecimento do setor mineral, contrastando com a postura atual do governo brasileiro.

Embora o governo busque controle sobre as exportações e a formação de estoques estratégicos, a falta de uma estatal robusta pode resultar em uma dependência ainda maior das interesses privados e compromissos com o mercado internacional.

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