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política
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Renegociação de dívidas rurais gera receio entre bancos e governo

A proposta aprovada no Senado pode impactar o crédito rural e abrir precedentes arriscados.

Giovani Ferreira02 de junho de 2026 às 05:10
Renegociação de dívidas rurais gera receio entre bancos e governo

A recente inclusão de dívidas rurais não bancárias no pacote de renegociação, aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, suscitou preocupações significativas entre agentes financeiros e a equipe econômica. Essa medida, vista como arriscada, pode comprometer a concessão de novos financiamentos no setor.

Com o novo texto, os bancos poderão assumir integralmente os riscos de dívidas contraídas pelos produtores rurais junto a fornecedores de insumos, cooperativas e outras entidades. Porém, não há clareza sobre as taxas de juros que poderão ser aplicadas nessas operações, uma vez que a indicação do spread não é obrigatória.

Divisão de opiniões sobre a proposta

Quem defende a proposta argumenta que a crise no campo exige soluções diferenciadas para os endividamentos fora do sistema bancário. Eles enfatizam que o modelo aprovado não obriga as instituições financeiras a renegociar essas dívidas, apenas lhes dá a opção de fazer isso.

Os representantes do setor produtivo se reunirão para discutir os impactos e a viabilidade da proposta.

Especialistas apontam que o atual modelo de renegociação está saturado e demandam novas abordagens para lidar com débitos fora das instituições financeiras. A equipe econômica do governo estima que os gastos com essa medida podem chegar a R$ 800 bilhões nos próximos anos.

De acordo com as proponentes, muitos desses débitos possuem juros elevados, que podem ser renegociados para uma taxa de até 7,5% ao ano. No entanto, executivos do setor financeiro avaliam que a implementação efetiva desse projeto é duvidosa, argumentando que essa medida poderia encorajar os produtores a contrair dívidas fora do sistema financeiro.

Preocupações em relação ao projeto

Conforme o texto, a renegociação se aplicaria às Cédulas de Produto Rural emitidas até 2025, desde que registradas. No entanto, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul ressaltou que uma parte considerável do endividamento do setor agrícola ocorre em cooperativas e revendas, e deve ser incluída em qualquer solução proposta.

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"Não é aceitável comemorar os recordes do Plano Safra enquanto ignoramos os débitos mais severos do setor"

Domingos Velho, presidente da Farsul.

Contexto

A preocupação com a inclusão de dívidas fora do sistema financeiro é que isso pode prejudicar a saúde do crédito rural, criando um ciclo dependente entre produtores e bancos.

Técnicos do Senado alertam que essa mudança pode deteriorar a capacidade de crédito rural. Alguns especialistas sugerem a criação de uma linha especial similar ao FAT Giro Rural, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, para a renegociação de dívidas com fornecedores privados.

O Ministério da Fazenda busca delinear condições que limitariam a renegociação a dívidas de crédito rural com juros elevados, com o ministro Dario Durigan afirmando que um refinanciamento abrangente não é viável.

Os bancos também levantam questões sobre a maneira como o projeto trata as dívidas originais e a falta de clareza em relação às condições das operações. A ausência de garantias adicionais requeridas preocupa as instituições financeiras.

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