Senadora Tereza Cristina discute renegociação de dívidas rurais com bancos
Reunião busca ajustes no projeto de lei antes da votação no Senado

Representantes dos principais bancos do país se reuniram nesta terça-feira (2) com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para discutir o projeto de lei 5.122/2023, que visa a renegociação das dívidas rurais. O encontro teve como objetivo ajustar o texto, a fim de possibilitar sua votação na próxima semana no Senado.
Os líderes financeiros apresentaram uma proposta de alterações no projeto, que será analisada pela senadora e encaminhada ao relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). A expectativa é que a proposta entre na pauta do Senado na quarta-feira (10), embora essa agenda dependa de negociações com a equipe econômica.
✨ Bancos expressam preocupações sobre mudanças no projeto de lei de renegociação.
As conversas indicam que a chance de o governo emitir uma medida provisória antes da votação final é escassa, a menos que novos acordos sejam feitos. Durante a reunião, os bancos levantaram questões centrais sobre o texto aprovado anteriormente pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Um dos principais pontos criticados foi a inclusão de dívidas adimplentes e débitos não bancários na renegociação.
Executivos bancários alertaram que as condições atuais podem levar a um desinteresse para as operações propostas, o que potencialmente tornaria a medida ineficaz. Outros pontos de preocupação incluem a proposta de postergar todos os vencimentos por seis meses, o que, segundo as instituições, poderia aumentar a inadimplência e prejudicar o financiamento de novas safras.
Os bancos também criticaram a possibilidade de renegociar operações abaixo de R$ 10 milhões, que passariam a ter juros controlados de até 7,5% ao ano, em vez das taxas livres previamente acordadas. Os cálculos apresentados sugerem que uma operação de R$ 10 milhões com juros livres, se renegociada por 13 anos a essa nova taxa, poderia gerar custos entre R$ 7 milhões e R$ 9 milhões para o Tesouro Nacional na equalização de juros.
Contexto
A pressão política está forte em torno da renegociação de dívidas rurais, especialmente com a proximidade das eleições. A reação dos produtores influenciou a aprovação de um parecer mais amplo na CAE.
Além das questões financeiras, o projeto enfrenta a possibilidade de impasse jurídico, com potenciais desafios à sua constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Críticos afirmam que o projeto pode violar a Lei de Responsabilidade Fiscal ao não prever fontes de compensação para as despesas geradas e ao intervir em contratos privados.
Com o texto sendo amplamente discutido, a falta de um teto para os gastos pode gerar ainda mais tensões nas futuras negociações e na implementação das medidas.
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