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política
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Supremo Tribunal Federal derruba lei que proibia cotas raciais

Decisão unânime encerra polêmica e reforça políticas de inclusão

Fernanda Lima23 de abril de 2026 às 16:55
Supremo Tribunal Federal derruba lei que proibia cotas raciais

Em uma decisão unânime, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou a lei que proibia cotas raciais nas universidades de Santa Catarina, sancionada pelo governador Jorginho Mello. Esta deliberação marca um ponto significativo na proteção das políticas afirmativas, essenciais para enfrentar a desigualdade racial no estado.

Conflito e Contexto

A votação, que se completou na sexta-feira, 17, encerra a tentativa da extrema-direita de desfazer uma política pública já estabelecida por mais de dez anos no Brasil. Uma pesquisa do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), em conjunto com a Cátedra Unesco Antonieta de Barros, evidencia a necessidade de ações que ampliem as vagas não apenas no ensino superior, mas em todas as esferas educacionais.

O projeto de lei, apresentado pelo deputado estadual Alex Brasil, foi aprovado em dezembro e sancionado em janeiro. Ele proibia a reserva de vagas por critérios raciais em instituições de ensino superior que receberem fundos estaduais, e estabelecia multas severas para o descumprimento da regra.

Estudo indica que em 2016, 8,8% dos alunos no ensino superior em Santa Catarina eram negros, índice que subiu para 20,2% em 2023.

Reações e Implicações

A deputada estadual Luciane Carminatti (PT) criticou duramente a justificativa do governador, que alegou que a maioria da população de Santa Catarina é branca. Para Carminatti, esses argumentos são não apenas falhos, mas também racistas, reforçando a necessidade de um reconhecimento mais amplo da diversidade no estado. Ela destaca que o debate sobre cotas tem sido distorcido com motivações eleitorais pela extrema-direita.

Dados recentes apontam que a desigualdade racial no ensino médio leva a uma evasão escolar significativamente maior entre estudantes negros. Enquanto os negros enfrentam uma taxa de evasão de 8,1%, os brancos têm 4,6%. Essa diferença, que também se reflete nas taxas de reprovação e no atraso escolar, sublinha a urgência de políticas afirmativas.

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O argumento do governador foi a expressão mais evidente do racismo, tentando apagar a contribuição histórica de negros e indígenas.

Leslie Chaves, professora da UFSC

Contexto Desigual

Pesquisas do Cedra revelam que mesmo em um estado com uma população majoritariamente branca, a desigualdade racial em Santa Catarina reflete padrões observados em todo o país. A correlação entre desigualdade educacional e econômica é clara, onde brancos com a mesma formação ganham, em média, 77% a mais do que negros.

A luta por um sistema educacional mais equitativo é vista como uma responsabilidade coletiva. Ao abordar a questão racial, efetivas intervenções precisam ser feitas no ensino médio que ajudem a reduzir as diferenças de oportunidades entre estudantes de diferentes etnias.

Simulações indicam que, se mantido o atual ritmo de progresso, levará 70 anos para alcançar a equidade de renda entre negros e brancos em Santa Catarina.

Com um futuro de incertezas, a defesa das cotas e de políticas antirracistas deve continuar a ser uma prioridade, segundo especialistas. Como ressalta Leslie Chaves, apesar dos avanços, os ataques a essas conquistas podem surgir a qualquer momento, especialmente em períodos eleitorais.

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