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política
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Um ano após esvaziamento, Cracolândia ainda gera polêmica e críticas

Movimento civil aponta para fragmentação do fluxo de usuários e falta de transparência.

Carlos Silva14 de maio de 2026 às 03:25
Um ano após esvaziamento, Cracolândia ainda gera polêmica e críticas

O Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura celebram o declínio dos índices de violência na área da Cracolândia, enquanto movimentos sociais alertam sobre a fragmentação dos usuários de drogas e exigem maior transparência nas ações do poder público.

Um ano após a ação que esvaziou a Rua dos Protestantes, tradicional ponto de concentração de dependentes químicos no Centro de São Paulo, a região passa por um processo de transformação com o apoio das autoridades, mas a situação ainda divide opiniões.

Novo cenário na Cracolândia

As operações realizadas pelo governo resultaram na dispersão de um fluxo que, em seu auge, contava com quase 4 mil dependentes químicos, reduzindo-se agora a pequenos grupos. As reformas e operações policiais, segundo a Secretaria da Segurança Pública, contribuíram significativamente para a queda dos crimes na região, levando a uma redução de 70% nos roubos apenas no primeiro trimestre de 2026.

A Rua dos Protestantes amanheceu vazia em 14 de maio de 2025, marcando um ponto de virada na Cracolândia.

Por outro lado, alguns moradores relatam que muitos usuários migraram para outras áreas do Centro, como a Santa Cecília e o Minhocão, em busca de abrigo e drogas.

O papel do governo e suas reivindicações

As autoridades atribuíram a diminuição do fluxo a uma série de fatores, como ações contra o tráfico na Favela do Moinho, o fechamento de locais criminosos e o aumento das internações de dependentes. O vice-governador Felício Ramuth afirmou que as novas políticas de saúde estão focadas na ampliação do atendimento aos dependentes, com a implementação de centros de tratamento e a retirada de famílias da Cracolândia.

O Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas já tratou mais de 39 mil pacientes desde sua abertura.

Além disso, foram propostas iniciativas urbanísticas para prevenir o retorno do fluxo, como a construção de um novo conjunto habitacional no local anteriormente ocupado pelos usuários.

Críticas e preocupações da sociedade civil

Embora o governo se mostre otimista, ativistas e organizações de apoio aos dependentes afirmam que a solução não foi encontrada, mas sim a dispersão dos usuários. A presidente do projeto TTT, Lídia Gama, critica o uso de força policial excessiva e aponta para a necessidade de políticas mais eficazes de redução de danos.

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A ideia de que a situação foi resolvida é um mito. Os usuários foram apenas transferidos para outros locais, não solucionamos o problema de fundo.

Em paralelo, a perda de evidências durante o esvaziamento, como a destruição de gravações de câmeras, gerou polêmica e levantou questões sobre a transparência das ações governamentais. Críticas surgiram também quanto à construção de um muro na Rua General Couto Magalhães, visto por muitos como uma medida de afastar os vulneráveis da vista pública.

Olhando para o futuro

Um ano após a controvérsia que envolve o esvaziamento da Cracolândia, o governo paulista agora foca em projetos de requalificação urbana e na monitoração de novas aglomerações em áreas próximas à região.

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