Medida gera tensão entre Brasil e blocos europeus após acordo de comércio

A União Europeia anunciou que, a partir de 3 de setembro, o Brasil estará excluído da lista de países autorizados a exportar diversos produtos, como carnes bovinas, de aves, equinos, peixe, mel, ovos e seus derivados. A decisão, comunicada pela Comissão Europeia, gera grande descontentamento e foi interpretada como um revés após a recente implementação do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE.
A principal justificativa para essa medida é a suposta não conformidade do Brasil com a legislação europeia de 2023, que proíbe a importação de produtos de sistemas de produção que utilizem antimicrobianos como promotores de crescimento. A situação foi um golpe para setores do governo brasileiro, que admitiram falhas na comunicação e na preparação para atender essas exigências.
✨ Decisão europeia provoca choque em Brasília, com apelos diretos do presidente Lula.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua insatisfação ao contatar diretamente Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Antônio Costa, presidente do Conselho Europeu. Lula enfatizou a complexidade das negociações para o acordo de livre comércio e a ironia de enfrentar sanções imediatamente após sua implementação.
As reações dos líderes europeus surpreenderam, pois ambos alegaram não ter conhecimento prévio da decisão. Eles prometeram buscar uma solução técnica, mas o embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, declarou que não haveria flexibilidade nas exigências sanitárias.
As regras sobre o uso de antimicrobianos na produção animal estão em discussão há anos entre as partes. O Brasil já emitiu circulares específicas para cada setor afetado, mas a implementação de um sistema de controle robusto ainda está em progresso.
Maria Eduarda Blaiklock, médica-veterinária e ex-adida agrícola, destacou que as garantias não estão apenas nas novas normas, mas na efetividade dos controles implementados. A validação de sistemas de fiscalização é crucial, especialmente considerando o longo ciclo produtivo da carne bovina, que impede uma conformidade imediata.
Além disso, um novo impasse se formou com a França, já que Lula sancionou uma nova lei que proíbe a produção e comercialização de foie gras, num movimento que se alinha a tendências de proteção animal em diversos países. Essa mudança legislativa também provoca reações nas relações bilaterais entre Brasil e França, sobretudo considerando as restrições atuais enfrentadas pelo Brasil em questões comerciais.
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Jornalista especializado em Política

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