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Saúde
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Cresce o número de adolescentes apostadores no Brasil em 2025

Mais de 1 milhão de jovens já experimentaram apostas, revelam estudos.

Gabriel Rodrigues11 de julho de 2026 às 09:10
Cresce o número de adolescentes apostadores no Brasil em 2025

Em um preocupante levantamento, mais de 1 milhão de adolescentes brasileiros, com idades entre 14 e 17 anos, participaram de apostas ao menos uma vez no último ano. O estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) traz à tona questões alarmantes sobre vícios e seu impacto na saúde mental dos jovens.

O estudo indica que 55,2% dos adolescentes que apostaram se encontram em situação de risco ou apresentam sinais de distúrbios relacionados ao vício. Segundo especialistas, a formação desse comportamento compulsivo é frequentemente enraizada em experiências de infância que se manifestam apenas na adolescência.

A Influência dos Primeiros Anos de Vida

Psicanalistas ressaltam que o desenvolvimento emocional dos adolescentes pode ser afetado por experiências precoces, como a falta de atenção e cuidado adequado. Jailza Peguim, psicanalista da Sow Saúde Integral, explica que a interação inicial entre a criança e seu cuidador é crucial para a formação de vínculos afetivos saudáveis, algo que pode ser comprometido pela presença excessiva de telas.

O efeito das apostas é potencializado pela recompensa incerta que elas oferecem, atraindo cada vez mais os jovens.

As apostas, em contraste com as redes sociais, oferecem um fator adicional: a incerteza e a possibilidade de recompensa imprevisível, o que pode provocar uma forte compulsão. Este cenário se torna ainda mais preocupante quando as famílias não reconhecem os sintomas associados a esses comportamentos até que se tornem graves.

Sinais de Alerta e o Papel da Família

Os especialistas detalham os sinais de que um adolescente pode estar lutando contra um vício em apostas, como a checagem compulsiva do celular, sentimentos de culpa após jogar, problemas para dormir e dificuldade de se concentrar nos estudos. Frequentemente, esses comportamentos são erroneamente atribuídos ao uso excessivo de tecnologia.

Flávia Anjos, também psicanalista, menciona que o sofrimento do adolescente não surge isoladamente, mas frequentemente é acompanhado de vergonha e problemas financeiros ocultos. Essa dinâmica pode romper laços familiares, que muitas vezes só se tornaram evidentes quando a situação já estava crítica.

Contexto sobre Uso da Internet

Uma pesquisa da TIC Kids Online Brasil 2025 revela que 28% das crianças e adolescentes começaram a usar a internet antes dos seis anos, o que representa quase três vezes mais do que em 2016. Esse precocismo no uso da tecnologia pode estar relacionado ao aumento da exposição a comportamentos de risco.

Para reverter essa situação, especialistas recomendam que as famílias busquem ajuda profissional ao invés de recorrer ao controle excessivo ou à culpa. Compreender os complexos mecanismos que levam ao vício é crucial para a recuperação dos jovens. Além disso, as escolas desempenham um papel vital na detecção precoce de mudanças comportamentais e no apoio às famílias afetadas.

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