Resultados positivos para HPV não indicam câncer imediato, mas merecem atenção.

Receber um resultado positivo para HPV pode gerar preocupação, mas não significa um diagnóstico de câncer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que existem mais de 200 tipos do vírus, com diferentes níveis de risco.
Alguns tipos de HPV são considerados de baixo risco, enquanto outros, como os oncogênicos, estão associados ao desenvolvimento de câncer, incluindo o câncer do colo do útero. O assunto é destacado durante o Setembro em Flor, campanha de conscientização sobre os cânceres ginecológicos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que entre 2026 e 2028, o Brasil registrará aproximadamente 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, fortemente associados à infecção por tipos oncogênicos do HPV.
✨ O teste de DNA-HPV é uma das maneiras de identificar os tipos de maior risco, permitindo uma melhor gestão e acompanhamento da saúde.
Uma das formas de identificar esses tipos virais é o teste molecular de DNA-HPV. Ao contrário de outros exames que buscam alterações nas células, ele analisa o material genético do próprio vírus. A coleta pode ser realizada por um profissional de saúde ou, conforme as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, por autocoleta da mulher, facilitando o acesso ao exame.
De acordo com Dra. Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica, o teste pode identificar os tipos de HPV mais associados a riscos de câncer, como os tipos 16 e 18. Essa informação é crucial para que o médico determine os próximos passos e o tratamento adequado.
Ainda na área de rastreamento, o Papanicolau desempenha um papel significativo, mas fornece informações diferentes do DNA-HPV. Enquanto o primeiro analisa as células do colo do útero, o segundo verifica a presença de tipos de HPV de risco. Recentemente, as diretrizes brasileiras consideraram o DNA-HPV como exame primário, com o Papanicolau podendo ser utilizado dependendo dos resultados.
Dra. Lívia Maia, médica patologista, ressalta que, mesmo diante da identificação de um HPV de alto risco, não é garantido que o câncer se desenvolva, pois as infecções podem ser transitórias e o acompanhamento é essencial.
A vacinação representa outra importante estratégia de prevenção. O imunizante protege contra os principais tipos de HPV que podem levar ao câncer. A vacina é recomendada para meninas e meninos, contribuindo para uma proteção mais ampla.
Dra. Rosana Richtmann, infectologista, destaca que a vacinação dos meninos é tão importante quanto a das meninas, uma vez que o HPV também está ligado a cânceres em homens. Ela complementa que ter tido contato com HPV não impede vacinação, já que a pessoa pode ainda ser suscetível a outros tipos.
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Jornalista especializado em Saúde

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