Líderes brasileiros falham no enfrentamento de riscos psicossociais
Mais de 40% não possuem ferramentas adequadas para a questão

Mais de 40% dos líderes de empresas no Brasil não possuem as ferramentas necessárias para gerenciar riscos psicossociais entre suas equipes, conforme levantamento de mercado. Essa informação se torna ainda mais alarmante quando se considera que em 2025, o país reportou um total de 546 mil afastamentos por problemas relacionados à saúde mental, estabelecendo um recorde na última década.
Os dados evidenciam uma disparidade entre o que é verbalizado pelas empresas sobre bem-estar e a capacidade real dos gestores de identificar sinais de sofrimento emocional antes que resultem em incapacidade laboral. A Norma Regulamentadora nº 1 agora impõe a inclusão de riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos, no entanto, estima-se que cerca de 70% das empresas ainda não compreendem as reformas que essa norma traz.
Desafios na Linha de Frente
Embora termos como segurança psicológica estejam se tornando comuns no ambiente corporativo, muitos líderes são promovidos por suas habilidades técnicas, sem treinamento para reconhecer sinais de esgotamento ou ansiedade. Sem ferramentas adequadas para avaliar o bem-estar da equipe, muitas vezes os gestores interpretam uma queda de produtividade como desinteresse, resultando em respostas punitivas ao invés de acolhimento.
✨ Dados indicam que 77,7% das pessoas se sentem mais seguras em relatar problemas emocionais quando podem fazê-lo de forma anônima.
Um comportamento comum é o de um funcionário que começa a atrasar prazos e se tornar mais isolado em reuniões, frequentemente recebido como um indício de baixo desempenho e não como um possível sinal de burnout. Muitas vezes, tais profissionais seguem em silêncio até que a situação se torne insustentável e exigem afastamento, um desfecho que poderia ser evitado com um acompanhamento adequado.
Importância de Canais de Acolhimento
Heloísa Moraes, responsável pela gestão de pessoas na Contato Seguro, destaca que a introdução de um canal de acolhimento estruturado pode auxiliar na identificação de sofrimentos antes ocultos. Ela ressalta que o silêncio não é indicativo de ausência de problemas, mas sim falta de um ambiente seguro para discuti-los, tornando a equipe de RH responsável por casos que chegam em estados críticos.
"O canal de acolhimento permite que o funcionário relate situações de pressão em um ambiente neutro, sem depender da escuta do gestor. Isso proporciona um retrato mais completo dos riscos psicossociais na empresa.
Ademais, esse canal é gerido por psicólogos disponíveis 24 horas por dia e pode atender funcionários de qualquer turno. Dessa maneira, quando um colaborador se sente sobrecarregado, ele encontra um suporte imediato, permitindo intervenções antes que a situação se agrave.
Implicações Financeiras e Compliance
A repetição em licenças médicas impacta diretamente no Fator Acidentário de Prevenção, elevando os custos previdenciários para as empresas. Além disso, a Norma Regulamentadora nº 28 impõe penalizações para o descumprimento das normativas de segurança e saúde no trabalho. Com os riscos psicossociais agora parte da norma, as empresas que não implementarem uma metodologia eficaz para avaliá-los estão suscetíveis a multas e a ações judiciais.
Assim, a estruturação de processos de escuta deixa de ser uma escolha simples de engajamento e se torna uma necessidade exigida tanto pelas normas de compliance quanto pelo sucesso contínuo das operações.
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