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Saúde
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Apenas 35% das empresas brasileiras mapeiam riscos psicossociais

Descompasso entre reconhecimento e prática na gestão da saúde mental.

Carlos Silva21 de junho de 2026 às 10:05
Apenas 35% das empresas brasileiras mapeiam riscos psicossociais

Somente 35% das empresas no Brasil realizam o mapeamento de riscos psicossociais, mesmo que 98% considerem fundamental a saúde mental na gestão de seus colaboradores. Esse dado, extraído do relatório Tendência em Gestão de Pessoas 2026 do Great Place To Work, evidencia um gap significativo entre a teoria e a prática.

Orçamento destinado à saúde mental

O levantamento revela que 63,3% das organizações já alocam recursos financeiros para iniciativas de saúde mental. No entanto, essa porcentagem é reduzida ao abordar a identificação de problemas, com pouco mais de um terço das empresas realizando mapeamento efetivo.

Em 2025, mais de 546 mil trabalhadores foram afastados por problemas mentais, representando uma em cada sete licenças concedidas pelo INSS.

Norma Regulamentadora nº 1 e seus impactos

Diante desse aumento nos afastamentos, a Norma Regulamentadora nº 1 passou a reconhecer os fatores psicossociais como parte integrante da gestão de riscos ocupacionais. O cumprimento das novas exigências teve como prazo final maio de 2026.

O estudo do GPTW reflete a lentidão na adaptação das empresas à norma, dado que muitas ainda permanecem apenas no reconhecimento da saúde mental como relevante, sem prosseguir para a implementação de orçamentos e estruturas adequadas.

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Quando a saúde mental é tratada apenas como suporte, a empresa atua depois que o problema já se instalou. A nova abordagem exige olhar para a origem do risco, que muitas vezes está na forma como o trabalho é organizado.

Karen Scavacini, psicóloga

Desafios e adequações

Scavacini observa que, apesar do aumento no investimento direcionado ao tema, a ausência de um mapeamento sistemático ainda impede que as empresas compreendam as causas dos adoecimentos, que podem estar associadas a aspectos como carga de trabalho, estilo de gestão, objetivos e ambiente de trabalho.

De acordo com ela, a atualização da norma trabalhista valida uma compreensão que já existia entre muitas organizações: a saúde mental é vital para a produtividade e deve ser gerenciada proativamente.

51% das empresas ainda não aplicam estratégias para mapear riscos psicossociais.

Perspectivas futuras

André Purri, CEO da Alymente, corrobora que uma mentalidade reativa predomina nas empresas. O investimento em saúde mental frequentemente ocorre apenas após a identificação de problemas, evidenciando a necessidade de tratá-lo como parte da infraestrutura gerencial constante.

Esses dados sublinham que um maior compromisso na implementação de práticas para mapeamento de riscos psicossociais é essencial para aliviar a carga de afastamentos e garantir um ambiente de trabalho mais saudável.

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