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Episódio recente destaca a desconfiança nas instituições de segurança pública.

O linchamento de Cláudio Rafael Landeiro no Rio de Janeiro não é um incidente isolado, mas um reflexo de um problema mais abrangente. O Brasil registrou um preocupante aumento no número de linchamentos, com 223 casos em 2024, 227 em 2025 e, até maio deste ano, já são 88 ocorrências.
Os dados coletados pela Rede de Observatórios da Segurança incluem informações de nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo especialistas, essa situação resulta da crescente descrença da sociedade nas instituições de segurança pública, exacerbada por um discurso de ‘justiçamento’ difundido na política.
✨ Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa da rede, aponta que essa lógica de violência tem se intensificado desde 2018, quando discursos sobre justiça penal começaram a ganhar terreno.
Pacheco enfatiza que a noção de quem é 'apto' a ser linchado está ligada a fatores sociais e raciais, com jovens negros e de baixa renda sendo os mais afetados por essa violência. Ele critica a maneira como a dor e o sofrimento são desigualmente distribuídos na sociedade brasileira.
"Os linchamentos não estão desconectados das estruturas estatais. Eles são a manifestação de um sentimento profundo de desconfiança nas instituições de direito democrático.”
O fenômeno dos linchamentos também está ligado à forma como a segurança pública é gerida no país. As justificativas para as ações policiais, que muitas vezes resultam na morte de indivíduos de comunidades marginalizadas, indicam uma mentalidade de exclusão onde direitos são negados a certas populações.
✨ A dinâmica no Rio de Janeiro é complexa, envolvendo grupos armados que atuam como gestores do crime, enquanto pequenos grupos vigilantes, predominantemente da classe média branca, tentam impor suas próprias formas de justiça.
A crescente polarização política entre esquerda e direita também tem repercutido na abordagem da segurança pública. Enquanto a extrema-direita tende a focar em punições severas, a esquerda tem se afastado de propostas sólidas, muitas vezes respondendo sem uma visão estratégica para o futuro.
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