Dois ataques em sequência trazem à tona questões sobre assédio e bullying nas empresas.

Um ataque brutal no início deste mês na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, resultou na morte de três funcionários terceirizados, reacendendo discussões sobre a violência no local de trabalho. O agressor, também terceirizado, foi preso em flagrante e cometeu suicídio na delegacia algumas horas depois.
Este trágico episódio foi seguido de perto por outro incidente, onde três açougueiros foram feridos durante uma briga em um supermercado Assaí, em Jundiaí. O suspeito afirmou, em depoimento à polícia, que era vítima de bullying no ambiente profissional.
Embora o termo 'bullying' seja amplamente reconhecido, no contexto laboral é muitas vezes classificado como assédio moral ou violência psicológica, conforme explica o Ministério Público do Trabalho (MPT). Essas práticas incluem comportamentos que humilham e isolam os trabalhadores, impactando profundamente sua saúde e dignidade.
✨ No primeiro semestre de 2026, o MPT registrou mais de 17.590 denúncias de assédio e violência, superando o total de 2024.
Igor Sousa Gonçalves, coordenador da Coordigualdade, destaca que o assédio pode vir também de colegas em posições equivalentes e não apenas de supervisores. Ele reforça que cabe às empresas criar um ambiente seguro e adotar medidas preventivas contra esses comportamentos.
Embora o Tribunal Superior do Trabalho (TST) ainda não possua uma jurisprudência consolidada sobre bullying, ele reconhece a relevância do assédio moral e a responsabilidade da empresa em agir contra isso. Ignorar denúncias pode resultar em processos legais e indenizações.
As empresas devem investigar denúncias e implementar políticas rigorosas de combate ao assédio, promovendo uma cultura de respeito e empatia no ambiente de trabalho.
Trabalhadores que se sentirem vítimas ou testemunhas de abusos devem coletar evidências e, se possível, utilizar os canais internos de denúncia. Existem diversos recursos disponíveis, como o Canal de Denúncias do Ministério do Trabalho e o Disque 100, para reportar casos de assédio.
É fundamental que as empresas analisem constantemente suas práticas e promovam um ambiente acolhedor, onde todos se sintam seguros para relatar abusos sem medo de represálias.
A psicóloga Amanda Amude alerta que a violência no local de trabalho não afeta apenas as vítimas diretas, mas também aqueles que testemunham as agressões. A falta de intervenção por parte dos colegas pode intensificar o sofrimento da vítima, criando um ambiente de isolamento e desamparo.
É crucial que a empresa atue de forma rápida e eficaz após uma denúncia, para minimizar as repercussões emocionais e promover a recuperação dos envolvidos.
Para evitar os episódios de violência, é essencial que as empresas realizem avaliações contínuas do clima laboral e incentivem uma cultura de comunicação aberta entre todos os colaboradores. Isso pode incluir pesquisa de satisfação, entrevistas e grupos focais que abordem as relações de trabalho e a saúde mental dos empregados.
✨ A responsabilidade de prevenir a violência no trabalho deve ser compartilhada entre todos, incluindo funcionários terceirizados.
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