Voltar
Educação
2 min de leitura

Engenheira Eugênia aborda assédio moral em apostila da EJA

Personagem promove conscientização sobre direitos trabalhistas

Carlos Silva05 de abril de 2026 às 11:05
Engenheira Eugênia aborda assédio moral em apostila da EJA

Em uma iniciativa inovadora, um grupo de pedagogos da Universidade do Estado de São Paulo (USP) incluiu na sua apostila para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o personagem Engenheira Eugênia, com o objetivo de debater assédio moral e direitos trabalhistas no ambiente profissional.

Criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicato de Engenheiros (Fisenge), a personagem busca dar voz às mulheres engenheiras e suas lutas por justiça no trabalho. Simone Baía, diretora do coletivo, destaca a relevância da inclusão dessa figura em um contexto onde a maioria dos profissionais da engenharia ainda é composta por homens.

A Engenheira Eugênia aborda temas como assédio moral e igualdade de gênero em tirinhas que fazem parte do material educacional.

Conscientização e Educação

No quadrinho selecionado, Eugênia enfrenta assédio moral por parte de seu chefe, sendo desqualificada unicamente por seu gênero. A atividade proposta não visa apenas a assimilação de conteúdo, mas incentiva os alunos a reconhecerem situações de desigualdade e a promoverem discussões sobre respeito e direitos no local de trabalho.

Além disso, a iniciativa 'Viaduto Literário' utilizou os quadrinhos para interagir com crianças do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, buscando conscientizar sobre representatividade e oportunidades na engenharia. As respostas das crianças revelaram uma perceção equivocada da profissão como elitizada, destacando a importância do trabalho do coletivo em desmistificar esses estereótipos.

A Importância da Representatividade

Nos quadrinhos, a Engenheira Eugênia é retratada como uma mulher negra com 15 anos de carreira, mãe e divorciada. A representação é deliberada, visando quebrar os estereótipos associados à engenharia e refletir a realidade daquelas que desempenham múltiplas funções, tanto no trabalho quanto em casa.

A ação busca evidenciar que a engenharia é acessível a todos e não apenas um privilégio de elites.

Importantes conquistas já foram alcançadas com a personagem. Ela foi traduzida para o inglês, apresentada em fóruns internacionais e ganhou prêmios, como o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos em 2016, ressaltando seu papel na comunicação e discussão sobre igualdade e direitos.

"

Discutir é o primeiro passo para mudar alguma coisa

Simone Baía

Contexto

A personagem Engenheira Eugênia nasceu de uma necessidade de visibilidade e empoderamento feminino na engenharia, estabelecendo um diálogo direto sobre questões de assédio moral e desigualdade nas relações de trabalho.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de Educação