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3 min de leitura

Demanda por profissionais de IA cresce, mas empresas enfrentam obstáculos

Desafios na formação e na captação de talentos travam evolução da IA no Brasil

Mariana Souza17 de maio de 2026 às 10:05
Demanda por profissionais de IA cresce, mas empresas enfrentam obstáculos

A necessidade de profissionais especializados em inteligência artificial (IA) está crescendo a uma taxa de 21% ao ano globalmente, conforme apontado por um estudo da Bain & Company. Entretanto, as empresas brasileiras lidam com desafios que vão além da simples falta de candidatos qualificados.

Entre os obstáculos estão a defasagem na formação acadêmica, a concorrência desleal com salários do exterior e a falta de maturidade nas estruturas corporativas em relação ao uso de dados. Segundo Jéssica Lainy, líder de Gestão de Talentos da Mirante Tecnologia, essa situação reflete problemas estruturais profundos.

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As empresas estão tentando resolver um problema de longo prazo com soluções de curto prazo. Não é mais possível depender apenas do mercado. É preciso formar talento dentro de casa.

Gargalos que as empresas enfrentam

Lainy identificou cinco principais gargalos que dificultam a implementação da IA nas organizações:

  • 1Formação inadequada que não acompanha o ritmo das tecnologias emergentes.
  • 2Concorrência internacional atraindo talentos locais com salários em dólar.
  • 3Falta de profissionais que possam alinhar técnicas de IA a estratégias de negócios.
  • 4Ambientes corporativos com dados desorganizados, afastando os talentos mais qualificados.
  • 5Necessidade de governança e ética no uso da IA.

A defasagem na formação se deve à lentidão do sistema educacional em adaptar os currículos às novas demandas do mercado. Jéssica aponta que, ao ingressar no mercado, muitos profissionais já não estão atualizados o suficiente para atender os desafios contemporâneos.

A competição salarial com empresas do exterior reduziu a quantidade de profissionais qualificados no Brasil.

Além disso, a falta de habilidades que conectem a tecnologia aos resultados empresariais pode levar projetos à estagnação. Para Jéssica, é vital ter equipes que compreendam a arquitetura de dados e os conceitos básicos da IA para que possam implementar mudanças significativas.

Uma nuvem de dados desestruturados em muitas empresas desestimula os melhores profissionais, que preferem escapar de ambientes onde a decisão é baseada em suposições. Para conquistar esses talentos, as empresas precisam demonstrar uma cultura que valoriza a experimentação e uma liderança que compreenda a importância dos dados.

A realidade mostra que as empresas ainda têm muito a aprender sobre segurança, ética e responsabilidade no uso da IA. Embora existam tecnologias mais acessíveis, garantir um uso responsável e livre de preconceitos se torna o novo desafio a ser enfrentado.

Apesar de 39% dos executivos brasileiros reconhecerem a falta de especialização interna como um grande obstáculo para a adoção da IA, muitos ainda preferem contratar mão de obra já qualificada em vez de investir no desenvolvimento de talentos locais.

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As organizações que atravessarem esse momento serão as que investirem em upskilling interno e conseguirem preparar seus próprios times para a nova economia.

Importante ressaltar que, mais do que a programação técnica, as empresas devem valorizar habilidades como curadoria, pensamento crítico e ética na aplicação da tecnologia, pois estas competências definirão o futuro dos profissionais de IA no país.

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