Demanda por profissionais de IA cresce, mas empresas enfrentam obstáculos
Desafios na formação e na captação de talentos travam evolução da IA no Brasil

A necessidade de profissionais especializados em inteligência artificial (IA) está crescendo a uma taxa de 21% ao ano globalmente, conforme apontado por um estudo da Bain & Company. Entretanto, as empresas brasileiras lidam com desafios que vão além da simples falta de candidatos qualificados.
Entre os obstáculos estão a defasagem na formação acadêmica, a concorrência desleal com salários do exterior e a falta de maturidade nas estruturas corporativas em relação ao uso de dados. Segundo Jéssica Lainy, líder de Gestão de Talentos da Mirante Tecnologia, essa situação reflete problemas estruturais profundos.
"As empresas estão tentando resolver um problema de longo prazo com soluções de curto prazo. Não é mais possível depender apenas do mercado. É preciso formar talento dentro de casa.
Gargalos que as empresas enfrentam
Lainy identificou cinco principais gargalos que dificultam a implementação da IA nas organizações:
- 1Formação inadequada que não acompanha o ritmo das tecnologias emergentes.
- 2Concorrência internacional atraindo talentos locais com salários em dólar.
- 3Falta de profissionais que possam alinhar técnicas de IA a estratégias de negócios.
- 4Ambientes corporativos com dados desorganizados, afastando os talentos mais qualificados.
- 5Necessidade de governança e ética no uso da IA.
A defasagem na formação se deve à lentidão do sistema educacional em adaptar os currículos às novas demandas do mercado. Jéssica aponta que, ao ingressar no mercado, muitos profissionais já não estão atualizados o suficiente para atender os desafios contemporâneos.
✨ A competição salarial com empresas do exterior reduziu a quantidade de profissionais qualificados no Brasil.
Além disso, a falta de habilidades que conectem a tecnologia aos resultados empresariais pode levar projetos à estagnação. Para Jéssica, é vital ter equipes que compreendam a arquitetura de dados e os conceitos básicos da IA para que possam implementar mudanças significativas.
Uma nuvem de dados desestruturados em muitas empresas desestimula os melhores profissionais, que preferem escapar de ambientes onde a decisão é baseada em suposições. Para conquistar esses talentos, as empresas precisam demonstrar uma cultura que valoriza a experimentação e uma liderança que compreenda a importância dos dados.
A realidade mostra que as empresas ainda têm muito a aprender sobre segurança, ética e responsabilidade no uso da IA. Embora existam tecnologias mais acessíveis, garantir um uso responsável e livre de preconceitos se torna o novo desafio a ser enfrentado.
Apesar de 39% dos executivos brasileiros reconhecerem a falta de especialização interna como um grande obstáculo para a adoção da IA, muitos ainda preferem contratar mão de obra já qualificada em vez de investir no desenvolvimento de talentos locais.
"As organizações que atravessarem esse momento serão as que investirem em upskilling interno e conseguirem preparar seus próprios times para a nova economia.
Importante ressaltar que, mais do que a programação técnica, as empresas devem valorizar habilidades como curadoria, pensamento crítico e ética na aplicação da tecnologia, pois estas competências definirão o futuro dos profissionais de IA no país.
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