Empregadas domésticas utilizam plataformas digitais para gerar renda extra com filmagens de suas rotinas.

Empregadas domésticas brasileiras têm encontrado uma nova forma de geração de renda ao filmar suas atividades para treinamento de robôs. A prática, iniciada por meio de plataformas digitais, tem atraído diversas mulheres com a promessa de um ganho extra sem a necessidade de sair de casa.
Uma dessas profissionais é Francisca, residente em Ilhéus, na Bahia, que ao ver uma oferta de trabalho que pagava 4 dólares por hora, decidiu se inscrever na plataforma KGeN para filmar suas obrigações diárias. Com um celular fixado em sua cabeça, ela grava suas atividades domésticas durante cinco horas diárias, recebendo em média 125 reais a cada três dias.
✨ Francisca, assim como outras colaboradoras, percebeu que o trabalho estava afetando seu tempo com os filhos, levando-a a reduzir as gravações para uma hora diária, priorizando assim a convivência familiar.
Enquanto isso, Joyce, que anteriormente vendia balas em São Paulo, encontrou uma nova oportunidade de vida ao se inscrever na mesma plataforma. Ela compartilha sua rotina de filmagens e relatou que seu salário aumentou para entre 2,8 mil e 3,5 mil reais mensais, o que proporcionou uma melhor qualidade de vida para sua família.
No entanto, essa nova forma de trabalho não tem se mostrado totalmente vantajosa. As especialistas em direitos humanos e proteção de dados alertam para a precarização das relações de trabalho, destacando que as empregadas estão realizando uma terceira jornada de trabalho sem a devida remuneração e com contratos que não oferecem garantias.
Organizações e especialistas pedem por maior regulamentação nesse mercado, onde as trabalhadoras precisam de proteção e garantias de seus direitos em uma situação já marcada pela informalidade e exclusão social.
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