Ministro Renan Filho indica avanço nas negociações ferroviárias com a Vale
Acerto final entre governo e mineradora pode ser encerrado em breve, conforme declarações do ministro dos Transportes.

O acordo entre o governo federal e a Vale referente à repactuação de contratos ferroviários ainda não foi oficialmente fechado na quarta-feira, 31, conforme o esperado, mas as negociações estão se aproximando da reta final. Renan Filho, ministro dos Transportes, expressou otimismo ao afirmar que um entendimento entre as partes está prestes a ser alcançado.
Envios de bilhões em questão.
Esta negociação, que abrange um montante significativo para equilibrar concessões e impulsionar investimentos no setor ferroviário, estava prevista para ser anunciada ainda nesta semana. Contudo, ajustes de última hora causaram um adiamento na formalização do acordo. Renan Filho destacou que ainda existem alguns ajustes a serem feitos internamente antes que o acordo seja submetido à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e ao TCU (Tribunal de Contas da União).
"Estamos muito próximos da finalização. A reunião foi esclarecedora para ambas as partes. Algumas questões precisavam ser detalhadas, principalmente devido à complexidade da negociação no TCU.
✨ A Vale concorda em pagar cerca de R$ 7 bilhões, além dos R$ 4 bilhões já desembolsados.
Contexto
A Vale deve concluir as obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, assunto que se tornou um obstáculo nas negociações no tribunal de contas.
O compromisso da Vale inclui a construção do trecho entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT), uma obrigação que havia sido acordada na renovação do contrato em 2020. No entanto, divergências sobre prazos e o nível de investimento geraram dificuldades nas tratativas.
A repactuação com a Vale integra uma estratégia do ministério que visa revisar contratos de ferrovias renovados antecipadamente e aumentar a capacidade de investimento no setor, com o objetivo original de captar pelo menos R$ 30 bilhões com as concessionárias para novos projetos. No entanto, a morosidade nas negociações obrigou a reavaliação do plano inicial.
A política de renovações antecipadas começou em 2015, com metas voltadas para o reequilíbrio de contratos e a facilitação de novos investimentos. Entre 2020 e 2022, quatro concessões foram renovadas conforme esse modelo, mas a partir de 2023, os acordos passaram a ser revisados em resposta a questionamentos sobre os cálculos envolvidos e a instabilidade econômica.
Recentemente, o Ministério dos Transportes iniciou negociações com diversas concessionárias, onde a Rumo e a MRS já finalizou seus acordos. A negociação com a Vale, considerada a mais complicada, agora se aproxima do seu desfecho, potencializando um desembolso total em torno de R$ 11 bilhões por parte da mineradora.
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Acro Rodrigues
Jornalista especializado em Transporte
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