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Cunicultura no Brasil: potencial de crescimento e desafios do setor

Criação de coelhos para corte enfrenta limitações e oportunidades no mercado.

Carlos Silva25 de abril de 2026 às 07:55
Cunicultura no Brasil: potencial de crescimento e desafios do setor

A criação de coelhos para consumo alimentar no Brasil possui um grande potencial de expansão, segundo especialistas do setor. No entanto, apenas três frigoríficos têm permissão para realizar o abate de coelhos, com dois deles autorizados a comercializar a carne por todo o país.

A Coelho Real, localizada em Mairinque (SP), integra esse grupo e, conforme Marcos Kac, veterinário e diretor da empresa, existe uma forte demanda por cerca de 1.500 coelhos adicionais por mês. Ele afirma que o mercado está se solidificando e cresce a uma taxa anual de 10% a 15%, mas a produção ainda é insuficiente para atender ao consumo, especialmente na região Sudeste.

A carne de coelho é valorizada por seu alto conteúdo energético e baixo teor de colesterol.

Apesar de seu apelo saudável, a venda enfrenta desafios, como o apego emocional que as pessoas têm aos coelhos e o preço elevado, que pode ultrapassar R$ 100 por quilo no varejo. Kac enfatiza a necessidade de um marketing mais eficaz e orientações para atrair mais produtores para o setor.

Dados de 2017 do Censo Agropecuário indicam que o Brasil possuía 200.345 coelhos, com 59,6% concentrados na região Sul. O professor Leandro Dalcin Castilha, da Universidade Estadual de Maringá, alerta sobre as dificuldades da mercadoria, mas destaca que a cunicultura representa uma oportunidade viável de agronegócio.

Ele observa que muitos criadores introduzem coelhos como uma atividade secundária, o que não favorece seu desenvolvimento sustentável, e que a universidade busca transferir conhecimento técnico para aprimorar o setor.

O cunicultor Sérgio Dabrowski, de Itaberá (SP), acredita que uma agitação na promoção do produto ajudaria a impulsionar a demanda, além de compartilhar que sua produção permanece voltada à reprodução e não tanto ao abate.

Luiz Buttenbender, um criador respeitado do Rio Grande do Sul, também direciona sua criação para o mercado pet, onde os preços dos animais variam de R$ 150 a R$ 500. Como ele aponta, ainda existem desafios para otimizar as operações, que requerem cuidados manuais e instalações apropriadas.

Por seu lado, Claudinei Tavares, de Cascavel (PR), observa os altos e baixos do setor, enfatizando que o mercado pet atualmente domina o cenário. Ele acredita que uma nova abordagem, com cooperativas agrícolas, poderia mudar o futuro da cunicultura.

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