Estudo desmonta tese de cartel na Moratória da Soja
Pesquisadores concluem que preços pagos aos sojicultores não foram prejudicados

Pesquisadores dos Estados Unidos publicaram um estudo na plataforma SSRN, investigando os impactos econômicos e a concorrência resultantes da Moratória da Soja. O relatório concluiu que não há evidências de que tenha ocorrido formação de cartel, ao contrário do que defendem algumas entidades representativas dos sojicultores.
O que é a Moratória da Soja?
Implementada em 2006, a Moratória da Soja proíbe que empresas participantes comprem soja originária de áreas desmatadas na Amazônia a partir de julho de 2008. O estudo analisou dados de preços de 2005 a 2017, com base na Pesquisa Agropecuária Municipal do IBGE.
Os pesquisadores Marcos Barrozo, da DePaul University, e Marin Skidmore, da University of Illinois, compararam os preços pagos aos produtores nas regiões que aderiram ao acordo e aquelas que não aderiram. Segundo os dados, em 2017, o preço médio da tonelada de soja foi de US$ 291 nas áreas signatárias, enquanto nos municípios fora da moratória, o preço registrado foi de US$ 285.
✨ O estudo refuta a alegação de queda nos preços pagos aos sojicultores que se adequaram à Moratória, mostrando um aumento significativo no valor ao longo dos anos.
Controvérsias e ações judiciais
Representantes dos produtores, incluindo a Aprosoja-MT, alegam que as empresas formaram um cartel para reduzir os preços e exigem R$ 1 bilhão em indenização. Atualmente, as ações judiciais estão suspensas até que o STF decida sobre a inconstitucionalidade da lei de Mato Grosso que limita benefícios fiscais às empresas signatárias.
Os pesquisadores observaram também que a adesão de mais tradings à Moratória aumentou a concorrência entre compradores, o que ajudou a manter os preços pelo enfoque sustentável atendido por empresas que operam no mercado internacional.
Importância da pesquisa
O estudo contribui para um debate crucial sobre a relação entre conservação ambiental e sustentabilidade econômica no agronegócio, desafiando alegações que não possuem respaldo factual.
Reações do setor
A associação Abiove comentou que o estudo valida os argumentos de que não ocorreu desvalorização nos preços dos produtores, mantendo a competitividade do mercado. Em contrapartida, a Aprosoja Brasil contestou os resultados, argumentando que a metodologia não considera adequadamente todas as situações dos sojicultores afetados pela Moratória.
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