Falta de silos causa perda de grãos e prejuízos financeiros aos agricultores

Produtores de milho destacaram a importância de implementar um programa de longo prazo voltado para a criação de silos e armazéns, além de investimentos em irrigação, desvinculados das linhas de crédito do Plano Safra. Essa iniciativa visa mitigar a falta de capacidade de armazenamento no Brasil e assegurar maior previsibilidade para a produção rural.
Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), argumentou que o recente Plano Safra não oferece condições adequadas para a construção de novas estruturas antes da colheita. Ele propôs a implementação de um plano plurianual que permita acesso facilitado a recursos para a armazenagem, apontando que mesmo disponíveis, os financiamentos não têm sido executados devido ao descompasso entre a contratação e a realização das obras.
✨ O Brasil enfrenta um déficit superior a 130 milhões de toneladas em armazenagem de grãos.
Bertolini ressaltou que esse déficit se origina do crescimento acelerado da produção, que aumentou cerca de 17 milhões de toneladas anuais na última década, enquanto a capacidade de armazenamento cresceu de 5 a 6 milhões por ano. "Estamos caminhando para um colapso se essa situação persistir", enfatizou o executivo.
Fabrício Rosa, diretor-executivo da Aprosoja Brasil, complementou que ampliar a capacidade de estocagem poderia facilitar a redução de custos e desperdícios. Ele revelou que 10% da produção de soja e milho se perde devido à falta de armazenagem adequada, o que corresponde a 28 milhões de toneladas e R$ 42 bilhões em prejuízos, dinheiro que poderia beneficiar os agricultores.
Os produtores destacaram a urgência na criação de um fundo garantidor que possibilite a liberação de recursos não apenas para custeios, mas também para maquinário e sistemas de armazenagem. Eles alertaram que as altas taxas de juros e as exigências de garantias excessivas dificultam o acesso ao crédito na atualidade.
Em resposta, Wilson Vaz de Araújo, secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, defendeu o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que oferece financiamentos a taxas competitivas. No entanto, ele admitiu que, apesar dos R$ 60 bilhões alocados para os programas de apoio, os recursos não são completamente utilizados pelos produtores.
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