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Agronegócio
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Plano Safra 2026/2027 traz incertezas para o financiamento rural

Setor avalia que recursos são insuficientes diante do verde campo

Gabriel Rodrigues21 de julho de 2026 às 10:00
Plano Safra 2026/2027 traz incertezas para o financiamento rural

A safra 2026/2027 começou sob apreensão quanto à disponibilidade de crédito rural e suas condições. O Plano Safra anunciou R$ 610,3 bilhões, sendo R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar.

Embora o valor represente um aumento em relação aos R$ 594,4 bilhões da estação anterior, os representantes do setor agrícola consideram esses recursos insuficientes para atender às necessidades atuais.

Adoção de critérios mais rígidos

Um aspecto significativo destacado é a diminuição no financiamento para custeio, que será de R$ 384,9 bilhões nesta safra, uma queda de 7,18%. Este tipo de financiamento é vital para cobrir despesas essenciais ligadas ao cultivo, como insumos e defensivos.

Os recursos incluem R$ 38,5 bilhões provenientes de fontes antes não consideradas nos planos anteriores.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ressaltou que, na sua visão, o plano não resolve o problema do endividamento rural, uma questão crucial para garantir que os agricultores possam acessar o crédito necessário para as próximas safras.

Além disso, o cenário financeiro apresenta pressões adicionais, com dados do Banco Central revelando um índice de inadimplência recorde. Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, alertou que o aumento do endividamento provavelmente levará instituições financeiras a se tornarem mais rigorosas na concessão de empréstimos.

Embora as taxas de juros tenham diminuído entre 0,5% e 1,5%, ainda são altas, com alguns casos chegando a 12,5% ao ano. Gilio indica que embora o orçamento para equalização de juros tenha crescido em mais de 35%, a redução efetiva para os produtores tem sido limitada.

Com o orçamento da Selic fixado em 14,25% ao ano, cortes mais substanciais das taxas de juros são inviáveis, resultando em um custo elevado para crédito rural, ao passo que a escassez de recursos para custeio complica ainda mais a situação.

O início do Plano Safra 2026/2027 gera questões entre analistas e representantes do setor sobre a viabilidade do financiamento para a próxima temporada.

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