Queda nas vendas de máquinas agrícolas marca início de 2026
Mercado enfrenta retração e aumento das importações

O setor de máquinas agrícolas iniciou 2026 com desempenho negativo, registrando 9,8 mil vendas no varejo durante o primeiro trimestre, uma diminuição de 13,1% em comparação ao mesmo intervalo de 2025.
Esses dados foram apresentados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em um relatório divulgado nesta quarta-feira.
✨ As importações de máquinas agrícolas cresceram 48,4%, enquanto as exportações subiram apenas 5,7%.
Enquanto as vendas internas enfrentam dificuldades, as importações de máquinas agrícolas crescem, totalizando 3,35 mil unidades no primeiro trimestre, um aumento substancial de 48,4% em relação ao ano anterior. As exportações, por sua vez, foram de 1,33 mil unidades, um leve incremento de 5,7%.
Quatro anos de queda no setor
As vendas de máquinas agrícolas acumulam uma queda contínua que já se estende por quatro anos. Em 2025, o setor vendeu 49,8 mil equipamentos, uma retração de 3,6% em relação a 2024, e uma diminuição de cerca de 10 mil unidades em comparação a 2021.
O maior impacto negativo foi registrado no segmento de colheitadeiras, cujas vendas caíram para quase um terço do que eram antes. A associação atribui essa tendência à instabilidade da renda no campo e ao elevado custo do crédito.
Desafios com os juros elevados
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que as taxas de juros estão pressionando as decisões de compra, dificultando o acesso ao financiamento. Para mitigar esses desafios, a entidade propõe o fortalecimento de políticas como o Plano Safra e o apoio do BNDES.
Apesar da retração nos grandes maquinários, as vendas de tratores de baixa potência estão em ascensão, favorecidas pela agricultura familiar e iniciativas como o Pronaf Mais Alimentos.
Perspectivas para 2026
A Anfavea prevê uma nova queda de 6,2% nas vendas de máquinas agrícolas até o final de 2026 e uma redução de 12,8% nas exportações. O aumento das importações continua a ser uma grande preocupação, com o volume já alcançando 11 mil unidades em 2025, um crescimento de 17% sobre o ano anterior.
A Índia lidera as importações, com 6 mil unidades, seguidas pela China, que cresceu 85,7% com 3,9 mil máquinas. O custo competitivo dos produtos estrangeiros, que podem ser até 27% mais baratos, pressiona a indústria local.
Máquinas rodoviárias em cenário semelhante
O mercado de máquinas rodoviárias se manteve estável em 2025, com 37 mil unidades comercializadas, impulsionado principalmente pela demanda da mineração, que compensou a fraqueza na construção civil. Entretanto, a previsão para 2026 é de uma diminuição de 4,7%, totalizando 35,3 mil unidades.
As exportações de máquinas rodoviárias também devem cair 10,7% este ano, influenciadas pela instabilidade tarifária nos Estados Unidos. Além disso, as importações superaram 20 mil unidades, destacando a forte presença de máquinas chinesas neste segmento.
"A qualidade dos produtos e serviços de assistência técnica deve ser uma prioridade em futuras concorrências públicas, não apenas a localização da produção e o emprego local
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