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Agronegócio
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Importações de máquinas agrícolas aumentam enquanto vendas no Brasil caem

Mercado agrícola brasileiro enfrenta desafios com forte crescimento das importações

João Pereira30 de abril de 2026 às 08:25
Importações de máquinas agrícolas aumentam enquanto vendas no Brasil caem

Em meio a uma contínua desaceleração nas vendas de máquinas agrícolas no Brasil, as importações destes equipamentos provenientes da Índia e China vêm aumentando significativamente. Em 2025, o país teve um recorde de 11 mil unidades importadas, representando um crescimento de 17% em relação ao ano anterior.

As importações de máquinas agrícolas aumentaram 17% em 2025, somando 11 mil unidades.

As estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as importações da Índia foram as mais expressivas, com 6 mil máquinas, consolidando-o como o principal fornecedor. A China seguiu em segundo lugar com 3,9 mil unidades, marcando um impressionante aumento de 85,7% em relação a 2024.

No primeiro trimestre de 2026, as tendências de importação se tornaram ainda mais evidentes, com 3,35 mil unidades importadas, aumento de 48,4% em comparação ao mesmo período do ano passado. Dentre essas, 1,7 mil vieram da Índia e 1,5 mil da China, com uma parcela menor vinda da Itália.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, expressou cautela quanto às previsões para o setor e destacou o crescimento desproporcional das importações em comparação às exportações, resultando em um déficit de 2 mil unidades. As exportações aumentaram 5,7%, totalizando 1,33 mil unidades, mas isso ainda não é suficiente para equilibrar o mercado.

Desafios enfrentados pela indústria nacional

Prevê-se que as vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuem pelo quinto ano consecutivo, com uma projeção de queda de 6,2% para 2026, totalizando 46,7 mil unidades. Esses números abrangem tanto empresas filiados à Anfavea como AGCO e CNH Industrial, quanto não associados, como John Deere.

Diversos fatores contribuem para a ascensão das importações, como as vantagens competitivas em termos de escala e custos de produção da Índia e China. Um estudo do Boston Consulting Group, encomendado pela Anfavea, aponta que os preços dos produtos importados podem ser até 27% mais baixos, facilitando a escolha dos produtores por alternativas mais baratas.

A análise aponta que produtos importados podem custar até 27% menos do que os nacionais.

Andrea Serra, dirigente tributária da Anfavea, observa que o ambiente de juros altos tem levado os agricultores a buscar máquinas mais acessíveis no exterior. As dificuldades no acesso ao crédito tradicional também aumentam a concorrência com produtos importados.

Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), identificou que as mudanças na legislação, como a Lei de Liberdade Econômica, facilitaram a entrada de máquinas estrangeiras, enquanto a falta de preferência por produtos nacionais em licitações públicas favorece as importações.

No entanto, ele ressalta desvantagens associadas às máquinas importadas, incluindo a ausência de suporte pós-venda e questões de qualidade.

Durante evento na Agrishow, a Abimaq relatou que a receita do setor de máquinas e equipamentos agrícolas caiu 16,4% no primeiro trimestre, atingindo R$ 12,8 bilhões, embora tenha havido um leve aumento em março. Além disso, as importações em valor diminuíram 5,3% no mesmo período, com a China ainda sendo a maior fonte de equipamentos importados.

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