Voltar
agricultura
3 min de leitura

Veto da UE às carnes do Brasil gera pressão sobre o governo

Setor de carnes se mobiliza em resposta às restrições de exportação

Gabriel Rodrigues09 de julho de 2026 às 05:10
Veto da UE às carnes do Brasil gera pressão sobre o governo

As recentes restrições impostas pela União Europeia às exportações de carnes do Brasil geram grande apreensão entre os empresários do setor. O controlador da JBS, Joesley Batista, e o CEO da empresa, Gilberto Tomazoni, se dirigiram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para solicitar uma alteração nas políticas relacionadas ao uso de antimicrobianos no país.

De acordo com informações, o pedido de Batista ocorreu antes mesmo de associações de exportadores de carne como a Abiec e a ABPA entrarem com um requerimento formal ao Ministério da Agricultura no início de junho, pedindo a ampliação das proibições de antimicrobianos. O objetivo era demonstrar um compromisso mais rigoroso em relação à segurança alimentar, visando os exigentes padrões europeus.

A Comissão Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, impactando cerca de US$ 1 bilhão em receitas anuais.

Em maio, a Comissão Europeia argumentou que o Brasil não atende aos critérios exigidos para o uso de antimicrobianos na criação de animais, colocando a suspensão das exportações em vigor a partir de setembro. Esse veto gerou divergências entre o governo, a indústria e os pecuaristas, que criticam a falta de ação do Ministério da Agricultura nos últimos anos para ajustar suas práticas às normas europeias.

Por outro lado, a pasta defende que cabe ao setor privado adotar medidas necessárias para assegurar a conformidade com as demandas europeias. No entanto, os pecuaristas argumentam que muitos dos antimicrobianos proibidos pelo bloco são essenciais para a manutenção de sua produção.

Busca por soluções em conjunto

Na última quarta-feira, representantes do governo, da indústria e de pecuaristas discutiram possíveis estratégias na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em Brasília. Durante a reunião, surgiu a necessidade de escolher entre separar a produção para o mercado europeu ou proibir completamente o uso de antimicrobianos em todo o Brasil. Novos encontros estão programados para as próximas semanas, mas as fontes indicam que o Ministério da Agricultura demonstra uma inclinação a aumentar as proibições de antimicrobianos, alinhando-se às reivindicações do setor frigorífico.

Após a decisão da Comissão Europeia, o governo brasileiro apresentou um protocolo que prevê um processo de rastreamento das carnes exportadas, desde o nascimento até o abate dos animais. Contudo, a proposta de um período de transição para acomodar as exigências ao longo dos próximos anos foi rejeitada pelos europeus, que mantêm suas restrições com foco em garantir a segurança alimentar.

O impacto econômico da suspensão é estimado em US$ 1 bilhão por ano para a carne bovina brasileira.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de agricultura