Programa busca atender demanda por carne sustentável a partir de 2027.

O programa Beef on Track, introduzido em outubro de 2025, almeja atender à crescente demanda da China por carne bovina que não está associada ao desmatamento. O intuito principal é exportar essa carne sem ser penalizado pela sobretaxa de 55% imposta pelo governo chinês para embarques que excedam 1,1 milhão de toneladas anualmente.
Na última terça-feira, a quantidade exportada alcançou 80% do limite estipulado. Embora os termos estejam em discussão, a resistência por parte dos chineses é evidente. Louise Nakagawa, coordenadora de projetos do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), que gere o programa, destaca que a carne do Beef on Track não é uma commodity comum, pois possui atributos de rastreabilidade e benefícios ambientais.
"Para eles (chineses) é interessante e para o Brasil também, porque seria uma outra forma de conseguirmos colocar esse produto no mercado sem precisar pagar essa sobretaxa.
✨ A carne certificada pode atrair um prêmio de até 10% a mais, conforme afirmado por Louise Nakagawa.
O Beef on Track atua como uma plataforma integradora para diferentes partes da cadeia de produção e comercialização, como frigoríficos e instituições financeiras. A expectativa é que a comercialização dos produtos com a nova certificação comece em 2027, após um período de aprimoramento do sistema durante 2026.
O Beef on Track reconhece sistemas de rastreabilidade já existentes e introduz quatro níveis de certificação: bronze, prata, ouro e platina, este último sendo o mais cobiçado por grandes redes de varejo como McDonald's e Walmart.
O programa também está alinhado ao compromisso da China em neutralizar emissões de carbono até 2060, fator que eleva a demanda por carne de fontes sustentáveis. Atualmente, frigoríficos que atendem aos Termos de Ajustamento de Conduta do Ministério Público Federal (MPF) podem se beneficiar da certificação do Beef on Track.
✨ Frigoríficos com nota acima de 95% nas auditorias do TAC automaticamente recebem a certificação Bronze.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ressalta a importância de harmonizar novos sistemas de certificação com os já existentes, evitando redundâncias que possam dificultar a produção eficiente. Um estudo destacado pela Abiec sugere que a exigência de idade dos animais está contribuindo para práticas mais sustentáveis no país.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Equipamento visa aumentar a produção agrícola na Terra Indígena.

Mudanças estruturais ampliam relevância do milho além da produção

Da cana-de-açúcar aos grãos, Bisneto combina tradição e inovação.

Mudanças geopolíticas afetam competitividade do setor de proteína