Impacto da colheita de soja e altos custos logísticos no mercado

A comercialização de trigo na Região Sul do Brasil está enfrentando um ritmo bastante lento, refletindo negociações esporádicas devido ao avanço da colheita de outras culturas e aos altos custos logísticos.
Segundo a TF Agroeconômica, esse cenário é resultado da cautela tanto de compradores quanto de vendedores, que estão se adaptando às condições atuais do mercado.
No Rio Grande do Sul, as transações continuam limitadas, especialmente com a colheita da soja em andamento. A quantidade de vendedores ativos é baixa, enquanto os moinhos estão relutantes em realizar novas compras devido ao aumento dos preços de frete.
✨ Os preços do trigo variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada, dependendo da qualidade e localização.
Houve uma negociação registrada a R$ 1.300 CIF para entrega em maio, com pagamento antecipado em abril. Contudo, vendedores pedem até R$ 1.350 por tonelada no interior, resultando em um volume de comércio bastante reduzido.
Em relação ao mercado externo, a oferta de trigo argentino caiu recentemente, mas há expectativas de chegada de um navio com produto uruguaio no porto de Porto Alegre.
No entanto, o preço pago ao produtor em Panambi aumentou 3,51%, atingindo R$ 59 por saca, o que sugere certa pressão em relação à oferta local.
Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado na produção gaúcha, com custos adicionais de frete e ICMS. Os preços estão em torno de R$ 1.300 CIF, mas a disponibilidade continua escassa.
No mercado de balcão, os valores se mantêm estáveis em muitas regiões, com destaque para os aumentos em Chapecó e níveis superiores em Xanxerê.
No Paraná, a estabilidade nos preços é sustentada pela baixa oferta, já que muitos produtores estão focados na colheita de soja e milho. Transações foram observadas a R$ 1.350 CIF moinho, enquanto as demandas de venda alcançam até R$ 1.400, ainda sem obrigações concretizadas a esse nível.
A entrada de trigo gaúcho e paraguaio, o último cotado entre US$ 260 e US$ 262 em Ponta Grossa, também pressiona os valores, em um contexto em que não há ofertas de trigo argentino nesta semana.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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