O setor sofre com desvalorização, apesar do aumento nas exportações.

Os suinocultores no Brasil estão passando por um período desafiador, com a desvalorização dos preços dos suínos e a redução das margens de lucratividade iniciando o segundo trimestre de 2026. Apesar de as exportações de carne suína terem atingido um pico significativo nos primeiros meses do ano, a demanda internacional não foi suficiente para alterar a baixa oferta no mercado nacional, resultando em preços em queda e menor poder aquisitivo para os produtores.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de carne suína in natura aumentaram 15,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Isso representa um acréscimo de 44,5 mil toneladas enviadas para o exterior, com as Filipinas sendo o maior destino, consumindo mais de 30% do total exportado.
Apesar do aumento nas vendas externas, os preços pagos aos suinocultores não acompanharam a tendência de alta. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) indicam uma queda consistente nos preços do suíno vivo e da carcaça especial nas principais regiões de comercialização até meados de abril de 2026. Essa desvalorização impactou negativamente a relação de troca, que se situou abaixo de 5,0, um patamar alarmante para os produtores, não observado desde dezembro de 2023.
Na área de custos, o foco do setor é a segunda safra de milho, um ingrediente chave na ração animal. Após o término do plantio, a variação nas chuvas em abril levantou preocupações sobre possíveis perdas nas colheitas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ajustou sua previsão para a safra total de milho 2025/2026 para 139,6 milhões de toneladas. Embora os preços do milho estejam em declínio devido a uma expectativa de colheita robusta, não se pode descartar um aumento nas cotações em decorrência de condições climáticas adversas.
Diante da discrepância entre custos de produção e preços de venda, os supermercados se mostram como um espaço promissor para a indústria suinícola. A ABCS destaca que a carne suína continua competitiva nas prateleiras em comparação às carnes bovina e de frango, oferecendo uma chance significativa de atrair consumidores e reequilibrar o mercado interno. Essa dinâmica poderá ajudar a estabilizar os preços para os produtores.
✨ Os preços dos suínos estão em queda, afetando o poder de compra dos produtores.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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