Setor cresce 2,2%, superando o mercado de trabalho geral

O agronegócio brasileiro alcançou um marco histórico em 2025, com 28,4 milhões de pessoas empregadas, o que representa um aumento de 2,2% em relação a 2024, um acréscimo de cerca de 602 mil trabalhadores. Esse crescimento foi mais expressivo que a média do mercado de trabalho nacional, que teve uma alta de 1,7% no mesmo período.
Os dados, obtidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em colaboração com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que a expansão da ocupação ocorreu de forma desigual, concentrando-se nas áreas de serviço relacionadas ao agronegócio. Por outro lado, o setor primário – que abrange as atividades feitas na propriedade rural – registrou uma redução de 1,1%.
"O setor de agrosserviços apresentou um aumento de 6,1%, revelando a crescente importância da cadeia produtiva que liga os produtos ao consumidor final.
✨ Cerca de 37,3% dos empregos estão nos agrosserviços, ajustando o foco do setor para serviços especializados.
Enquanto a agroindústria e a área de insumos cresceram 1,4% e 3,4%, respectivamente, a quantidade de empregos diretos nas lavouras caiu. Essa mudança destaca uma crescente dependência de serviços na cadeia de valor do agronegócio.
Em termos de formalização, o agronegócio também apresentou resultados positivos, com um aumento de 4,6% no número de trabalhadores com contrato formal, correspondendo à entrada de 440 mil novas pessoas. Isso contrasta com o crescimento mais modesto de 0,2% nas contratações informais, sugerindo uma melhoria na qualidade do emprego no setor.
Os rendimentos dos trabalhadores também mostraram evolução, com um aumento real de 3,9% em 2025, superando a média nacional. O crescimento foi impulsionado por uma maior valorização das funções que exigem maior qualificação, refletindo uma transformação estrutural no mercado de trabalho do agronegócio.
Notavelmente, a participação das mulheres no setor também aumentou, com 2,6% a mais em 2025, superando o crescimento de 1,9% observado entre os homens. Isso indica um movimento crescente em direção a uma maior inclusão de gênero no agronegócio, enquanto a exigência por trabalhadores qualificados se intensifica devido ao avanço tecnológico.
A evolução dos números do agronegócio reflete sua capacidade de gerar empregos e renda, mesmo que a criação de vagas na produção primaria não acompanhe essa evolução. O desafio será promover qualificação profissional e incentivando que os ganhos de produtividade beneficiem também os trabalhadores diretamente nas atividades rurais.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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