Elevação acentuada nos preços de insumos nitrogenados pode impactar safra.

Os agricultores brasileiros estão em alerta com a disparada nos preços internacionais de fertilizantes, com especial foco na ureia, que viu seu valor aumentar em 50% em maio. Este aumento ocorre no momento em que os produtores se preparam para amplas aquisições de insumos para a temporada de plantio de verão.
Os dados do Banco Central indicam que outros fertilizantes também registraram aumentos: o fosfato monoamônico, por exemplo, subiu 29,7%, enquanto o cloreto de potássio teve um acréscimo de 9,7%. A disparidade nos percentuais sugere que a pressão nos preços não é uniforme, sendo os produtos nitrogenados os mais afetados devido a fatores como a alta do gás natural e incertezas no comércio internacional.
✨ O Brasil depende do mercado externo para a maior parte dos fertilizantes que utiliza.
Em 2025, a Rússia isoladamente respondeu por 25,9% do valor importado, com China e Oriente Médio em seguida. Aproximadamente 34% do comércio global de ureia também é controlado pelo Oriente Médio, que concentra uma porcentagem significativa das importações de fertilizantes nitrogenados do Brasil.
Embora o Brasil possua diversos fornecedores, a alternância nas fontes de importação pode levar a custos mais altos e a trajetos mais longos, aumentando a volatilidade durante a formação dos custos para as lavouras. O impacto geral nos preços agrícolas de 2026 deve ser moderado, pois muitos fertilizantes já haviam sido importados antes da escalada nos conflitos internacionais.
No entanto, a preocupação se intensifica para a safra de grãos de 2027, uma vez que as importações costumam aumentar no segundo semestre. A duração das altas nos preços internacionais será crucial para os produtores, e um aumento temporário pode ser mitigado pelos estoques existentes.
Os custos de produção para grãos mostram variações significativas entre soja e milho. Para a temporada 2026/27, o custo para a soja foi estimado em R$ 4.207,88 por hectare, com um leve aumento de 0,64% em relação à temporada anterior, enquanto o milho registrou um aumento mais acentuado de 11,06%, totalizando R$ 3.686,80 por hectare.
"A pressão sobre os custos do milho pode aumentar, dado o consumo elevado de nitrogenados.
✨ Decisões de compra devem considerar a relação de troca de produtos.
A capacidade financeira dos produtores para compras antecipadas de fertilizantes é um fator determinante, pois a alta nos preços pode ser compensada se a valorização das commodities mantiver um bom poder de compra.
Diante desse cenário, as cooperativas, revendas e produtores precisarão monitorar seus fechamentos de aquisições com cuidado, considerando análises de solo e orientações agronômicas, em vez de fazer ajustes indiscriminados nas doses de adubação.
Reduzir a adubação pode parecer uma solução imediata para custos, mas essa estratégia pode comprometer a produtividade e aumentar os custos por saca produzida.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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