China aplica sobretaxa de 55% sobre novas remessas de carne brasileira após atingir cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026.

A Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) anunciou que a cota de carne bovina importada do Brasil atingiu 100% da previsão de 1,106 milhão de toneladas para 2026. A partir de agora, novas remessas que entrarem no país serão sobretaxadas em 55%.
Desde julho, frigoríficos brasileiros começaram a desacelerar a produção e o embarque de carne para a China, devido ao rápido preenchimento da cota. Em função do tempo de trânsito das cargas, que pode chegar até 60 dias, os exportadores limitaram os embarques nos últimos meses para evitar sobretaxa sobre volumes que ultrapassassem a cota prevista.
✨ Nos primeiros oito meses do ano, o Brasil enviou 1,144 milhão de toneladas de carne bovina para a China, superando a cota em 38,75 mil toneladas.
A posição da China como principal mercado para a carne bovina brasileira caiu para o quinto lugar em agosto, com uma significativa redução de 88,2% nos embarques em comparação ao mesmo período do ano anterior. No total, a partir de janeiro, foram 899,2 mil toneladas enviadas, resultando em receitas de US$ 5,5 bilhões, com aumento de 10,2% no faturamento, mas queda de 6% no volume.
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), ressaltou que o cumprimento da cota não significa o fim das vendas, pois operações residuais podem ocorrer, mas o importador deverá arcar com a sobretaxa. Ele também manifestou preocupação com o impacto na produção, afirmando que sem restrições a exportação brasileira poderia chegar a 2 milhões de toneladas em 2026.
Diante desse cenário, a Abiec busca retomar diálogo com o governo para implementar um controle mais eficaz das cotas, visando evitar um esgotamento ainda mais precoce em 2027.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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