A safra nova enfrenta desafios com chuvas e negociações complicadas

A colheita de trigo começa em meio a um mercado caracterizado por baixa oferta de cereal velho e a presença de qualidade irregular nos primeiros lotes da nova safra.
De acordo com um levantamento que compila informações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, o clima e as condições dos grãos já influenciam as negociações e a postura dos compradores e vendedores.
No Rio Grande do Sul, a demanda pelo trigo velho se mantém forte, porém, os estoques estão se esgotando. Os negócios têm sido fechados entre R$ 1.500 e R$ 1.530 por tonelada, enquanto os vendedores já solicitam de R$ 1.550 a R$ 1.600.
Para a nova safra, os compradores sinalizam preços entre R$ 1.350 e R$ 1.400 para lotes com PH entre 77 e 78, glúten de 21 a 22 e W próximo de 180. Até o momento, a colheita representa menos de 1% da área total do estado e está concentrada nas regiões adjacentes ao rio Uruguai.
✨ As primeiras análises revelam PH variando entre 73 e 80, com a maioria dos lotes em 77, além de DON entre 1.100 e 1.900 e W entre 170 e 220.
As chuvas, com acumulação entre 40 e 200 milímetros, interromperam os trabalhos e podem limitar o progresso da colheita. Entre 20% e 25% das áreas estão próximas do ponto de corte, aumentando a incerteza quanto à qualidade final da safra.
Em Panambi, o preço do trigo subiu para R$ 74 por saca. Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos e negócios pontuais têm sido realizados a R$ 1.520 FOB, com ausência de oferta de trigo novo.
No Paraná, os estoques da safra antiga estão quase se esgotando, enquanto a nova colheita enfrenta questões de PH e falling number. O trigo Tipo 1 apresenta indicações entre R$ 1.450 e R$ 1.550 CIF moinho, de acordo com o prazo de entrega.
O preço do trigo paraguaio alcançou US$ 320 nos Campos Gerais, enquanto o argentino de 11,5% é comercializado a US$ 325 em Paranaguá.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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