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Agronegócio
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Conflito entre frigoríficos e pecuaristas sobre antimicrobianos no Brasil

Tensão crescente devido a exigências da União Europeia

Carlos Silva17 de junho de 2026 às 05:10
Conflito entre frigoríficos e pecuaristas sobre antimicrobianos no Brasil

A crescente exigência do governo federal para aumentar as restrições ao uso de antimicrobianos na pecuária está provocando um embate entre frigoríficos e produtores rurais no Brasil, após a União Europeia retirar o país da lista de exportadores autorizados.

A decisão da UE, que entrará em vigor em setembro, foi motivada pela falta de garantias de que carnes exportadas seriam de animais que não tinham contato com substâncias proibidas. Em resposta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) propôs ampliar as restrições a diversos antimicrobianos, uma iniciativa vista com preocupação por pecuaristas.

Preocupações com custos e produtividade

Pecuaristas e representantes do setor afirmam que eliminar o uso de certas substâncias pode aumentar os custos de produção e comprometer a eficiência do rebanho. O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, destacou que o uso de antimicrobianos no tratamento de doenças é aceito em muitos mercados, mas a UE tem se oposto ao uso preventivo.

O Brasil foi retirado da lista de países aptos a exportar para a UE devido à falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos.

Salani acrescentou que é fundamental que a discussão sobre o uso desses produtos seja abordada de maneira técnica, e não política, e mencionou que o Sindan já enviou um documento detalhando a importância e segurança dos antimicrobianos ao Ministério da Agricultura.

Divisão no setor

Organizações como a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) manifestaram sua discordância em relação à proposta da Abiec. Francisco Manzi, diretor técnico da Acrimat, defende que não se deve generalizar as exigências de um mercado específico, como o europeu, para todo o Brasil.

"

O Brasil tem interesse em atender ao mercado europeu, mas não podemos aceitar que exigências de um consumidor sejam aplicadas a todo o país

Francisco Manzi, Acrimat.

Maurício Velloso, presidente da Assocon, também criticou a falta de debate sobre a proposta da Abiec, mencionando que o uso de antimicrobianos já é minimizado no setor. Ele ressaltou que os novos produtos exigidos pela Abiec não são considerados antimicrobianos e que a proibição afetaria a eficiência das práticas de criação.

Caminhos para o futuro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou sua oposição à solicitação da Abiec, ressaltando que a Europa não solicitou a proibição dos antimicrobianos. A CNA sugere que o foco deve estar na comprovação de que os animais destinados à exportação estão segregados e atendem às exigências européias.

O Brasil homologou um protocolo que promete assegurar à UE que a carne bovina exportada é livre de antimicrobianos.

Embora haja interesse de pecuaristas em certificações, ainda existem muitas incertezas sobre a implementação e supervisão das garantias propostas. O cenário permanece tenso enquanto as partes buscam um entendimento que possa reconciliar as exigências de mercado e a viabilidade produtiva.

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