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Agronegócio
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Crédito rural acumula R$ 433 bilhões, mas queda é registrada

Financiamentos para industrialização crescem, mas outros setores enfrentam recuo.

Fernanda Lima10 de junho de 2026 às 14:40
Crédito rural acumula R$ 433 bilhões, mas queda é registrada

Entre julho de 2025 e maio de 2026, o crédito rural voltado para a agricultura empresarial, excluindo o Pronaf, alcançou R$ 433 bilhões, representando uma redução de 5% em comparação com o mesmo período da safra anterior.

Os dados são provisórios e provêm do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, elaborado pelo Departamento de Financiamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, utilizando informações do Banco Central do Brasil.

Financiamentos para a industrialização cresceram impressionantes 59,5%, saltando de R$ 19,7 bilhões para R$ 31,5 bilhões.

Este aumento está vinculado ao crescimento do processamento e à valorização dos produtos agropecuários, com forte participação das cooperativas. Além disso, a industrialização foi a única área que apresentou um aumento no número de contratos, que subiu 17,7%.

As Cédulas de Produto Rural (CPR) totalizaram R$ 185,2 bilhões em contratações, uma elevação de 8% em relação ao ano anterior. Isso fez com que as CPR passassem a representar 42,8% do montante total, comparado a 37,4% no ciclo anterior, consolidando-se como a principal ferramenta de financiamento do custeio.

Unindo os recursos do custeio e das CPRs, o total destinado ao financiamento agrícola ficou em R$ 322,7 bilhões, uma queda de 2,1%. Por outro lado, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) apresentou um aumento de 4,3% nas concessões, totalizando R$ 56,4 bilhões.

Em contrapartida, os programas voltados para investimentos caíram 28,1%, sendo o Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido o mais impactado, com uma retração de 56%.

Causas da Queda nos Investimentos

A diminuição na demanda por crédito voltado a investimentos é atribuída a diversos fatores, incluindo taxas de juros elevadas, rigor na concessão de empréstimos, aumento da inadimplência, custos de produção elevados e os riscos associados a condições climáticas.

No que se refere às fontes de financiamento, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada teve um aumento expressivo, subindo de R$ 927 milhões para R$ 28,8 bilhões. A Poupança Rural Livre também cresceu 49,5%, atingindo R$ 57,6 bilhões.

Em termos regionais, excluindo as CPRs, a Região Sul liderou as contratações com R$ 74,2 bilhões e 131.109 contratos, enquanto o Nordeste sofreu a maior queda, de 26%.

O perfil das contratações está mudando, com um aumento na utilização de instrumentos privados e uma diminuição na procura por linhas de investimento com subsídios.

Ainda que os dados sejam preliminares, a análise do crédito para a safra 2025/2026 dependerá da evolução das taxas de juros, da renda dos produtores rurais e das condições econômicas e climáticas nos próximos meses.

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