MP 1.376/2026: produção rural sob controle dos bancos
Regulamentação de renegociação de dívidas provoca críticas.

A nova regulamentação da medida provisória MP 1.376/2026, que deve facilitar a renegociação de dívidas rurais, é vista como uma oportunidade de alívio para os agricultores, mas muitos a criticam por favorecer as instituições financeiras na definição de quem poderá se beneficiar.
José Carlos Vaz, ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, expressou suas preocupações ao afirmar que, embora a proposta tenha como objetivo ajudar os produtores, ela parece estar mais voltada para atender os interesses dos bancos.
"Essa medida provisória não foi feita para os produtores rurais. Ela foi feita para os bancos.
A resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) concede aos bancos a autorização para oferecer opções específicas para liquidação ou amortização de dívidas. No entanto, a adesão a essas propostas continua a ser opcional para as instituições financeiras.
✨ Vaz alerta que a capacidade de renegociação pode ser desproporcional, favorecendo os bancos sobre os produtores.
Segundo Vaz, a maioria das instituições financeiras pode estar disposta a renegociar dívidas existentes, mas a nova regulamentação dá um controle ainda maior a elas sobre algumas situações financeiras dos produtores.
Ao discutir novos créditos, o especialista acredita que as dificuldades tendem a aumentar, especialmente quando o assunto envolve dívidas com outras contabilidades. Ele recomenda que os produtores não hesitem em se inscrever para a renegociação, mesmo que isso saia de sua zona de conforto.
Além disso, Vaz enfatiza a importância de um registro formal dos pedidos de renegociação, para que a comunicação seja clara e protegida. Ele sugere o uso de protocolos de envio e até a utilização de aplicativos de mensagem, quando aplicável, para garantir que o interesse seja devidamente documentado.
Em relação ao prazo de adesão ao programa, que se estende até 12 de novembro, Vaz pondera que o mais importante é que os produtores afirmem seu interesse o quanto antes. Ele também observa que, caso o sistema financeiro não consiga processar todas as operações no tempo determinado, o governo e os bancos precisarão discutir uma prorrogação.
✨ Os agricultores têm até 120 dias para que a MP seja aprovada pelo Congresso, caso contrário, perderá a validade.
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