Estudo do Cepea revela aumento da inadimplência no crédito rural, impactada por juros altos e mudanças de credor.

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP) publicaram uma análise que indica que a dívida rural não ultrapassou a renda dos produtores nos últimos anos. No entanto, o crédito tornou-se mais caro, mudou de credor e se concentrou, resultando em um aumento recorde da inadimplência no setor.
De acordo com o estudo, a inadimplência entre pessoas físicas subiu de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026. Essa evolução é atribuída mais ao aumento dos custos do passivo e à sua composição do que ao montante total da dívida, cujas características foram cruzadas com dados do Banco Central, IBGE e Banco Mundial.
✨ A dívida rural tornou-se mais onerosa, com taxas médias saltando de 6,3% para 12,2% entre 2021 e 2025.
Os autores do estudo, Lucilio Alves e Geraldo Barros, afirmam que a inadimplência se deve ao descompasso entre o custo da dívida na contratação e no vencimento, citando que dívidas de investimento contraídas entre 2020 e 2022 venceram em um período de margens menores e juros elevados. Além disso, eles apontam que a concentração de atraso se dá em operações com taxas de mercado, que representam um aumento significativo desde 2019.
Outra evidência levantada é que, em 2025, a carteira de crédito rural correspondia a 94% da renda anual do setor, dentro da faixa observada entre 2013 e 2019, quando a inadimplência era muito menor. A pesquisa ainda ressalta a falta de dados sobre dívidas fora do sistema financeiro e a necessidade de aprofundar a análise para entender completamente o cenário atual.
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