Tecnologia permite decisões mais precisas para pecuaristas, aumentando eficiência na produção.

A combinação de drones e inteligência artificial está transformando o manejo das pastagens no Brasil, permitindo aos pecuaristas tomar decisões mais informadas sobre a movimentação do gado baseada na análise da forragem disponível.
Conforme explica o zootecnista Leandro Barbero, professor na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a tecnologia age como um 'olho' que observa o pasto e, consequentemente, auxilia no ganho de peso do gado. O objetivo da tecnologia não é substituir o produtor, mas sim fornecer informações que agilizem sua rotina. 'A ideia é trazer velocidade, simplicidade e precisão para o pecuarista', destaca Barbero em entrevista ao Giro do Boi.
Desde 2017, os drones têm sido utilizados no manejo da pastagem, junto a um software que processa as imagens captadas durante os voos. Este software, que foi treinado com aproximadamente 400 mil imagens, é capaz de coletar dados sobre biomassa, altura do pasto e a presença de plantas daninhas. Essa informação é combinada com a localização do gado, facilitando o manejo.
✨ O sistema apresenta uma taxa de acerto de 96% na definição do manejo das pastagens, permitindo orientações precisas sobre a movimentação dos animais.
Segundo Barbero, a inteligência artificial ajuda a indicar o melhor momento para a movimentação do gado entre piquetes, o que é crucial para a recuperação das pastagens. Ela fornece recomendações sobre quando deve ocorrer a entrada e saída do rebanho.
O sistema não apenas otimiza o manejo, mas também leva em conta as características da vegetação. Além de calcular a lotação adequada, as análises consideram as condições climáticas, como períodos de seca ou transição.
Barbero salientou que o pasto é um ativo essencial na pecuária nacional, destacando que existe potencial para aprimorar sua utilização. 'As pesquisas demonstram que colhemos apenas 50% do que conseguimos produzir', afirma.
O avanço na implementação desta tecnologia é viável em propriedades de diferentes dimensões, variando de 20 hectares até 30 mil hectares, devido à operação autônoma dos drones que possibilitam um monitoramento constante, respeitando normas de segurança.
Além do monitoramento, os drones também podem ser utilizados para a pulverização e aplicação de fertilizantes, o que ajuda a diminuir o pisoteio e a mapear obstáculos no terreno.
Barbero exemplifica a adoção da tecnologia na Fazenda Tambatajá, localizada em Alta Floresta (MT), onde um centro de pesquisa está sendo estabelecido. Ele enfatiza que o aprimoramento do manejo de pastagens é vital para incrementar a lucratividade na pecuária, pois 'o pasto é onde está o nosso gargalo para ter lucratividade dentro da pecuária'.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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