Gestão financeira e escolha de atividades impactam a sustentabilidade no campo, segundo especialista da Embrapa.

O planejamento financeiro, controle rigoroso de custos e escolha criteriosa das atividades são essenciais para transformar uma pequena propriedade rural vulnerável em um negócio sustentável e competitivo. Segundo Elisio Contini, ex-pesquisador em socioeconomia da Embrapa e consultor internacional, a eficiência na gestão é mais determinante do que o tamanho da propriedade quando se busca garantir a sustentabilidade econômica no campo.
Dados do Censo Agropecuário de 2017 do IBGE revelam que, das 5,07 milhões de propriedades rurais no Brasil, 76,8% operam sob gestão familiar, totalizando cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos. Desses, 81,3% têm menos de 50 hectares. Esses números ressaltam o impacto econômico e social das pequenas propriedades na criação de empregos e na oferta de alimentos no país.
No entanto, o desafio vai além da mera produção. A administração eficaz das propriedades se tornou uma questão estratégica para manter a rentabilidade no curto, médio e longo prazos. Um dos primeiros passos envolve a separação das finanças pessoais das finanças da propriedade, o que pode ser um divisor de águas na gestão.
✨ Contini enfatiza que manter contas, registros e decisões financeiras familiares desvinculadas da atividade rural é fundamental para compreender a verdadeira situação financeira da propriedade.
É crucial que o produtor também estabeleça um pró-labore, evitando que retiradas pessoais sejam tratadas como lucro. Dessa forma, a organização das contas permite ao agricultor reunir informações sobre safras anteriores, produtividade, receitas e despesas, facilitando a avaliação e o planejamento da safra seguinte.
O fluxo de caixa, que deve registrar e projetar entradas e saídas de dinheiro ao longo da safra, é outro aspecto vital. Contini sugere que até mesmo as pequenas propriedades devem monitorar a movimentação financeira organizada por culturas, safra e centros de custo, permitindo decisões mais informadas sobre produção e investimentos.
Além disso, é importante considerar despesas ocultas, como a depreciação de máquinas e o trabalho familiar não remunerado. A gestão financeira deve incluir também a análise do nível de endividamento e a manutenção de reservas financeiras para imprevistos, como variações climáticas ou flutuações de preços.
Na escolha das culturas e criações, a orientação do mercado e fatores regionais devem ser levados em conta. Contini aponta que propriedades menores podem produzir culturas como soja e milho, se rentáveis, mas atividades de ciclo curto e maior valor agregado são mais indicadas para áreas limitadas.
No setor animal, criações que se adaptam a pequenos espaços, como frangos, mel, codornas e peixes, também são atraentes. Adicionalmente, a agregação de valor, como transformação de frutas em geleias ou leite em queijos artesanais, pode aumentar ainda mais a rentabilidade.
Por fim, o turismo rural e agroturismo surgem como oportunidades adicionais, especialmente em regiões próximas a centros urbanos. Ao unir um controle financeiro sólido com escolhas de cultivo bem planejadas, as pequenas propriedades podem superar suas limitações de espaço e se manter competitivas no mercado, demonstrando que, na agropecuária, a eficácia é mais valiosa que a dimensão.
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