Produtores devem monitorar condições climáticas e umidade do solo na safra 2026/27.

O fenômeno El Niño, juntamente com as altas temperaturas e a irregularidade das chuvas, vem aumentando a demanda hídrica nas áreas produtoras de soja do Matopiba, que compreende Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Este contexto requer atenção redobrada dos produtores no início da safra 2026/27, onde a disponibilidade de água no solo é crucial para a semeadura e o desenvolvimento das lavouras.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) revelam que, em setembro, as temperaturas máximas médias superaram em mais de 2 °C a média histórica na região. Em Jacobina, na Bahia, a anomalia foi de 3 °C, enquanto Morro do Chapéu registrou 3,6 °C. Em outubro, o calor se manteve, com desvios de 3 °C em Cruz das Almas e 3,2 °C em Araguaína.
✨ Com temperaturas elevadas, a evaporação da água aumenta, tornando necessária a chuva para a recuperação da umidade do solo.
Este fenômeno climático ocorre em um cenário de fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. O Centro de Previsão Climática (CPC), da NOAA, informa que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu +2,47 °C em outubro e prevê que o fenômeno permaneça forte até março de 2027.
Embora as condições de calor e as chuvas irregulares tenham predominado, de setembro a outubro houve uma recuperação da umidade do solo, notadamente no Tocantins, onde os índices de armazenamento de água superaram 30% em algumas localidades. Os maiores volumes de precipitações foram observados no oeste e norte do Tocantins e no sul da Bahia, embora a recuperação hídrica ainda seja considerada parcial em algumas áreas.
No oeste da Bahia, regiões de cultivo de soja dependem de irrigação, exigindo monitoramento da disponibilidade hídrica e ajustes de manejo, principalmente na emergência e estabelecimento das plantas. Uma análise histórica de produtividade entre 1996 e 2025 indica que o El Niño não se associa necessariamente à redução de rendimento no Matopiba, com 50% dos anos de influência do fenômeno apresentando produtividades acima da média na Bahia e Piauí.
Para a safra 2026/27, os impactos esperados estão mais relacionados às condições de implantação das lavouras, o que afeta a semeadura, a uniformidade da emergência e a formação do estande de plantas. O sucesso final da produção de soja dependerá da evolução das chuvas e temperaturas nos próximos meses, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, que são as fases mais críticas em relação ao estresse hídrico.
Portanto, o monitoramento das condições climáticas e da umidade do solo será essencial para orientar o manejo e mitigar os riscos ao longo do ciclo produtivo.
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