Impactos climáticos devem variar entre as regiões do Brasil, conforme alerta da Embrapa.

Os produtores de soja devem redobrar a atenção para a safra 2026/2027 devido ao fenômeno climático El Niño, que apresenta impactos diferentes nas regiões do Brasil. Segundo dados da Embrapa, o Sul pode experimentar excesso de chuvas, erosão do solo e aumento de doenças, enquanto as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar uma queda nas precipitações.
Pesquisadores da Embrapa destacam que ajustes no planejamento da safra e a adoção de práticas de manejo podem mitigar os efeitos negativos. Estratégias recomendadas incluem o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), implantação de palhada, escalonamento na semeadura e utilização de cultivares com ciclos variados.
✨ José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja, ressalta que mesmo em anos de risco, os produtores podem adotar práticas que minimizem os efeitos do El Niño desde já.
No Sul, a previsão é de chuvas acima do normal, enquanto no Norte e Nordeste a expectativa é de menor volume de precipitações. A adaptação a esse novo cenário requer estratégias integradas de gestão de riscos climáticos. Farias enfatiza a importância de respeitar os períodos de semeadura definidos pelo Zarc.
As regiões Sudeste e Centro-Oeste devem sentir menos os efeitos do fenômeno, embora possam perceber alterações no início das chuvas. Para os produtores, a implementação de plantas de cobertura antes da semeadura de culturas de verão é uma recomendação vital, especialmente no Sul, onde o risco de erosão hídrica é significativo.
No Norte e Nordeste, onde a principal preocupação é a escassez de água, é recomendado o uso de palhada que favoreça a infiltração de água. Plantas como braquiária e milheto podem ser úteis nesse contexto, ajudando a garantir maior disponibilidade hídrica.
A incidência de pragas e doenças também deve ser monitorada, uma vez que alterações nas rains trazem riscos variados. Embora a menor disponibilidade de água reduza doenças foliares, pode dificultar o controle de plantas daninhas e favorecer pragas como a mosca-branca.
Entre as práticas recomendadas está o escalonamento da semeadura, que visa distribuir o risco e evitar que toda a lavoura esteja na mesma fase de crescimento, o que pode ser crucial quando eventos climáticos adversos ocorrerem.
No sul do Brasil, a Embrapa elaborou uma nota técnica focada na mitigação dos efeitos do El Niño. Culturas com maior volume de chuvas devem ser semeadas em nível ou em contorno, sendo esta técnica benéfica para reduzir erosão e melhorar a infiltração.
Os terraços são outra recomendação importante para o controle do escoamento e aumento da retenção de água no solo, fundamentais para a conservação dos recursos hídricos. O manejo de defensivos também requer atenção especial, dado que chuvas intensas podem interferir nas aplicações necessárias.
Com a previsão de continuidade do El Niño até 2027, os riscos são elevados, especialmente para as lavouras do Sul, que podem enfrentar não apenas chuvas intensas, mas também o aumento da temperatura e umidade. O monitoramento de doenças fúngicas se torna essencial para evitar perdas significativas.
As recomendações incluem a adoção de cultivares resistentes, controle rigoroso das condições ambientais e acompanhamento das primeiras ocorrências de doenças para aplicar os defensivos no momento apropriado.
A programação e o planejamento antecipados para a safra são cruciais, e uma combinação de semeadura em tempo adequado, uso de cobertura do solo, diversificação de ciclos e monitoramento fitossanitário são caminhos que os produtores têm para mitigar os impactos do El Niño.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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