Simulação da UFV aponta perdas de 121,3 milhões de toneladas e impacto de R$ 223,5 bilhões

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG) em colaboração com a CropLife Brasil simulou um cenário de ausência total de controle de pragas, doenças e plantas daninhas na sojicultura. O levantamento apontou uma perda média de 121,3 milhões de toneladas, representando um impacto econômico estimado em R$ 223,5 bilhões, além de uma alta potencial de até 49% no preço da soja.
Divulgada na última sexta-feira (23) em São Paulo, a pesquisa sugere que a redução da oferta em relação à produção potencial pode chegar a cerca de 65% nos principais estados analisados. O estudo também estima que essa situação contribuiria com aproximadamente 0,26 ponto porcentual ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O pesquisador Emerson Del Ponte, doutor em Fitopatologia e docente da UFV, comentou que a metodologia utilizada converteu perdas de produtividade em quebra de oferta. Ele utilizou elasticidades calibradas com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), para prever o aumento no preço da soja e seu impacto nos preços dos alimentos.
✨ Com os cálculos do estudo, uma elevação de 10% no preço da soja poderia resultar em aumentos de 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos.
A pesquisa enfatiza que a soja é uma matéria-prima essencial para a produção de óleo e que o farelo é utilizado na alimentação animal. Assim, o custo do grão se reflete diretamente nos custos de produção de leite, ovos e carnes.
Além disso, o estudo avaliou também os impactos sobre as exportações e a demanda por terra. Para compensar o volume perdido em um cenário sem controle, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, baseado na produtividade média de referência.
Foram realizadas 10 mil simulações por estado, comparando cenários de ausência de controle, controle parcial e controle ótimo. No cenário de controle parcial, as medidas adotadas poderiam reduzir os danos estimados em até 40%. Já no controle ótimo, a redução dos danos seria de 80%, diminuindo a perda média simulada para 72,8 milhões de toneladas no primeiro caso e para 24,3 milhões de toneladas no segundo.
Vale destacar que a parceria entre a UFV e a CropLife Brasil, formalizada em setembro de 2025, prevê a realização de estudos sobre outras culturas que são relevantes para a agricultura brasileira. Este levantamento sobre soja, portanto, usei um cenário extremo para dimensionar os efeitos produtivos e econômicos relacionados ao manejo fitossanitário.
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