Temperaturas inadequadas afetam desde a germinação até a colheita, comprometendo a produtividade.

A exigência térmica do arroz desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da cultura, influenciando desde a emergência até a maturação do grão. Em regiões de clima subtropical, as temperaturas baixas entre junho e dezembro podem causar atrasos em fases cruciais, reduzir o perfilhamento e comprometer o enchimento dos grãos, refletindo na produtividade geral.
O arroz, sendo uma cultura de clima quente, necessita de temperaturas adequadas do ar e da água para expressar seu pleno potencial produtivo. Quando as temperaturas caem abaixo dos limites necessários, pode-se observar um desenvolvimento lento, resultando em problemas como a má germinação, formação reduzida de perfilhos, panículas mal formadas e flores estéreis.
✨ A faixa ideal de temperatura para o crescimento do arroz está entre 25 °C e 32 °C; temperaturas acima de 35 °C a 38 °C também podem prejudicar o desenvolvimento.
O conceito de exigência térmica é expresso em graus-dia (GD), que medem a quantidade de calor necessária para que a planta avance em seu ciclo. Para muitas cultivares de arroz, a temperatura-base fica em torno de 10 °C a 13 °C. Ao longo do ciclo, a planta precisa acumular graus-dia; no entanto, temperaturas médias constantemente baixas retardam esse acúmulo, atrasando o desenvolvimento e prolongando o ciclo de crescimento.
No arroz irrigado de terras baixas, a semeadura ocorre geralmente entre o fim do inverno e a primavera. Contudo, esse período pode ser marcado por incursões de ar frio, especialmente entre junho e setembro, causando o crescimento desuniforme e a diminuição da formação de folhas e perfilhos. A incidência de frio durante a floração é particularmente crítica e pode levar à esterilidade das flores.
Além disso, temperaturas mais baixas durante o enchimento dos grãos atrasam o desenvolvimento, e a qualidade industrial pode ser comprometida, resultando em um aumento de grãos imaturos. A gestão da irrigação e a escolha do momento adequado para a semeadura são cruciais para viabilizar um bom rendimento da cultura.
O planejamento da época de semeadura deve levar em consideração dados históricos da temperatura e recomendações técnicas locais, visando concentrar as fases sensíveis em períodos com menor risco térmico. A seleção de cultivares também é um fator determinante, pois algumas apresentam melhor resistência ao frio em determinadas fases.
Por fim, estratégias de manejo como o parcelamento da adubação nitrogenada e a manutenção de lâmina de água adequada são essenciais para mitigar os efeitos negativos provocados pelo frio. Assim, o agricultor pode maximizar a produtividade ajustando o sistema de produção às condições térmicas específicas de sua região.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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