Área plantada deve aumentar 7% e preços do algodão se recuperam

As perspectivas para a safra 2026/27 de algodão no Brasil são otimistas, com uma previsão de aumento de 7% na área plantada. Esse crescimento, aliado à recuperação dos preços que estão acima de 80 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, pode estimular uma maior demanda por crédito no setor.
Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, ressaltou que a alta nos preços proporciona margens mais saudáveis, o que é um sinal positivo para os produtores que estão financeiramente estáveis e prontos para implementar projetos de expansão. Em declaração ao Valor durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão em Belo Horizonte, ele afirmou que é natural que esses produtores voltem a investir.
Fernandes ainda destacou que, apesar do cenário não ser comparável ao de quatro anos atrás, ele é favorável à reestruturação financeira de grandes grupos que enfrentaram dificuldades. Para esses, o aumento da caixa disponível para a produção oferece uma oportunidade para aproveitar o momento, embora ele tenha ressaltado a incerteza quanto à magnitude dos investimentos devido à alta dos juros.
✨ A valorização da pluma elevou a margem agrícola dos produtores de 25% para 35%, mesmo com o aumento dos custos de insumos como fertilizantes e defensivos.
Francisco Queiroz, da Consultoria Agro do Itaú BBA, apontou que, embora os custos tenham aumentado, a valorização do algodão é um fator central para a recuperação das margens agrícolas. Contudo, ele observou que deve-se manter cautela em face das incertezas climáticas, especialmente com a previsão de um super El Niño em 2026/27, que pode impactar a produção.
A expectativa é de que a produção alcance 4,2 milhões de toneladas de pluma, uma leve queda em comparação às 4,4 milhões de toneladas da última safra. Aurélio Pavinato, da SLC Agrícola, também projeta uma recuperação das commodities em geral, após um ciclo de baixa nos dois anos anteriores, destacando a influência da guerra no Oriente Médio e o aumento no preço do petróleo que favorecem a demanda por biocombustíveis.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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