Exportações de carne bovina do Brasil para UE podem ser interrompidas
Falta de comprovação de uso de antimicrobianos pode afetar vendas

A indústria de carne bovina do Brasil enfrenta o risco de paralisação nas vendas para a União Europeia a partir de setembro, devido à falta de documentação que comprove a ausência de antimicrobianos nos animais. Essa situação está gerando apreensão no setor, que vê a UE como um mercado estratégico.
✨ O Brasil vendeu 128 mil toneladas de carne bovina para a UE em 2025, totalizando cerca de US$ 1 bilhão.
O governo brasileiro está procurando negociar um prazo de transição para assegurar que o ciclo de vida dos bovinos seja controlado, além de considerar a proibição do uso de antimicrobianos em todo o país como um sinal de compromisso com as exigências europeias. No entanto, essa proposta encontra resistência entre os pecuaristas, que buscam uma solução viável.
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), ressaltou que ainda não há uma decisão definitiva do governo sobre a proibição dos antimicrobianos solicitada pelos frigoríficos. Segundo ele, a UE é fundamental não apenas pelas vendas, mas também por sua influência na formação de preços e na imagem da carne brasileira no exterior.
Impactos das Negociações e Possíveis Soluções
Perosa destacou a importância das negociações em curso com os europeus, mencionando que a interrupção das exportações poderia ter consequências globais, embora o volume exportado não seja tão grande em comparação com outros mercados. Ele também mencionou que a interrupção das vendas pode se estender por até dois anos, tempo necessário para garantir a certificação dos novos bovinos.
Contexto
Na última semana, ocorreu uma reunião entre frigoríficos, pecuaristas e membros do governo para discutir essa questão crítica. O presidente Lula questionou o andamento das tratativas com a UE, enquanto a Câmara Setorial de Carne Bovina do Ministério da Agricultura se preparava para um debate sobre a situação.
Perosa também expressou preocupação com o esgotamento das cotas de exportação de carne bovina para a China, o que torna o ano de 2026 ainda mais desafiador para o setor. Ele previu que as vendas externas poderiam cair em até 10% em relação ao ano anterior devido à diminuição da demanda global por proteína.
O cenário atual requer atenção redobrada por parte da indústria, que enfrenta desafios internos, como acesso a crédito e aumento dos custos de produção. Perosa concluiu dizendo que o setor se encontra em um momento de cautela e que as discussões em torno da questão continuarão.
Leia Também
Não perca nenhuma notícia!
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!
Mais de Agronegócio

Brasil implementa novo protocolo para exportação de carne bovina à UE
Regras visam atender às exigências da União Europeia para evitar suspensões nas exportações

Imaflora firma parceria com entidade chinesa para carne sem desmatamento
Certificação visa atender crescente demanda asiática por proteína bovina

Suspensão de frigorífico gera alerta sobre carne brasileira na China
Frigorífico é interrompido após detecção de resíduos, elevando preocupações no setor.

Abate de bovinos tem aumento de 24,1% no 1º trimestre segundo dados do IBGE.
Produção de carcaças, leite e couro também apresenta variações no período





