Herbicidas prejudicam 700 hectares de vinhedos no RS
Estudo revela danos permanentes na vitivinicultura gaúcha

A erosão provocada pela deriva de herbicidas hormonais tem causado sérios danos a aproximadamente 700 hectares de vinhedos no Rio Grande do Sul, gerando um impacto significativo nas operações do setor vitivinícola.
Desde 2018, foram registradas mais de 400 ocorrências de deriva em vinhedos gaúchos. A pesquisa da Fundação Empresa-Escola de Engenharia da UFRGS mostra que o problema se tornou um risco contínuo para a expansão da vitivinicultura em diversas regiões do estado.
✨ Os vinhedos afetados enfrentam perdas de produtividade entre 20% e 55%, em situações extremas, podendo chegar a mais de 80%.
A pesquisa revela que as áreas mais atingidas se localizam em cerca de 45 municípios, onde o uso intenso de herbicidas hormonais para controle de plantas daninhas prevalece. Os principais produtos identificados incluem 2,4-D, dicamba, picloram e fluroxipir.
Os efeitos adversos da deriva não se limitam à redução imediata da produção. O estudo aponta também abortos florais, baixa pegagem de frutos e até deformidades nas videiras, exigindo que os produtores invistam na recuperação dos vinhedos danificados.
Impactos e perspectivas para o setor
A investigação identificou impactos em todas as regiões vinícolas do Rio Grande do Sul, incluindo a Campanha Gaúcha e a Serra do Sudeste. A professora doutora Shana Sabbado Flores, uma das coordenadoras do estudo, ressalta que a deriva foi reclassificada como uma preocupação constante, e não um evento isolado, afetando diretamente o investimento e o futuro da vitivinicultura.
✨ Sustentabilidade nas práticas agrícolas é fundamental para a convivência entre diferentes sistemas produtivos.
Com a crescente preocupação sobre o uso de herbicidas, alguns produtores, como a vinícola Salton, estão promovendo a substituição gradativa desse insumo por métodos mais sustentáveis, como o uso de coberturas vegetais que ajudam a reduzir a erosão do solo.
A vinícola Salton, em Santana do Livramento, adotou gramíneas de inverno para ajudar no controle de plantas daninhas e, em 2026, começou a calcular seus impactos ambientais em toda a cadeia produtiva, posicionando-se como uma das pioneiras na abordagem sustentável no setor.
Contexto
O estudo completo será apresentado em 17 de junho, durante um evento em Dom Pedrito, promovido pelo Consevitis-RS.
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