Instituto defende reconhecimento de atributos culturais e nutricionais em sua produção.

O Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) defende que agregar valor ao feijão brasileiro não se resume apenas à verticalização da produção ou à transformação do grão em produtos industrializados. É fundamental reconhecer e comunicar seus atributos como origem, história regional e diversidade de variedades.
Comumente, a primeira ideia que surge ao discutir a valorização da produção agrícola é a verticalização, que inclui a criação de produtos prontos, desenvolvimento de ingredientes, construção de marcas e aproximação entre a indústria, varejo e restaurantes. Essa abordagem é útil quando atende a necessidades do consumidor, como falta de tempo ou busca por praticidade. Contudo, apenas industrializar não significa gerar valor diretamente.
✨ Reconhecer a diversidade do feijão e sua história cultural pode ajudar a valorizar ainda mais o produto no mercado.
Embora o formato físico do produto seja uma parte do valor, a reputação e o significado que ele carrega são igualmente importantes. No vinho, café e chocolate, por exemplo, o consumidor já aprende a reconhecer atributos como origem e modo de produção. O feijão também pode ter terroir e deve continuar sendo uma comida acessível e cotidiana, presente nas mesas dos brasileiros.
A valorização da origem abre espaço para explicar como o alimento é produzido de maneira regenerativa, com práticas que cuidam da terra. Isso envolve cuidados com o solo, rotação de culturas e diversificação produtiva, sempre com resultados que podem ser verificados. Essa narrativa, que liga o produtor e o consumidor, pode tornar visível o trabalho que existe entre a lavoura e a mesa.
O Ibrafe trabalha para levar essa visão a diversas partes da cadeia produtiva, buscando valorizar o trabalho do produtor e apresentar ao consumidor um feijão que traz conveniência e também uma história. Para capturar mais valor, o Brasil deve entender melhor seu produto, sistema produtivo e mercado, oferecendo opções que vão além da mera quantidade.
Por fim, a Rota do Feijão pode unir gastronomia, turismo e educação, promovendo o reconhecimento do feijão e suas várias características. Essa construção pode ajudar o feijão a continuar sendo acessível, enquanto melhora as condições para que os produtores sejam valorizados adequadamente.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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