A nova norma permitirá contabilizar o uso do biocombustível na descarbonização marítima.

A Comissão Marítima Internacional (IMO) poderá aprovar ainda neste ano o padrão de intensidade de carbono do etanol de cana-de-açúcar, permitindo que os armadores contabilizem o uso desse biocombustível em seus esforços de descarbonização.
Flavio Mathuyi, coordenador de Temas Ambientais da CCA-IMO, destacou que, devido à significativa parcela da oferta global de etanol de cana-de-açúcar detida pelo Brasil, a validação desse padrão deverá ocorrer mais rapidamente em comparação ao biodiesel de soja, cuja produção é mais diversificada entre países.
✨ Os navios que possuem capacidade para combustíveis renováveis já podem utilizá-los, mas a contabilização da redução de emissões só será possível se a IMO reconhecer oficialmente a intensidade de carbono de cada rota.
Em maio, a IMO já havia reconhecido a intensidade de carbono do etanol de milho de segunda safra em 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule de energia gerada. Para que a IMO reconheça a intensidade de carbono de uma rota de produção, é necessário que 80% da oferta de biocombustível em questão seja informada ao órgão.
Mathuyi ressaltou que o Brasil já teve aprovada a apresentação de dados sobre a pegada de carbono do biodiesel de soja. Agora, os EUA e a Argentina aguardam a aprovação da IMO após submeterem suas informações. A expectativa é que a IMO também reconheça a intensidade de carbono do biodiesel em breve, mas Mathuyi preferiu não especular datas.
Além disso, o representante brasileiro na IMO afirmou que o Brasil tem pressionado para que o órgão crie uma certificação própria para diferentes rotas de produção de biocombustíveis, sem privilegiar determinados tipos de matéria-prima. Essa abordagem visa contestar a postura da Europa, que exclui o uso de biocombustíveis de primeira geração em suas políticas, por considerarem que atrapalham a produção de alimentos.
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