Em dez anos, etanol de milho pode representar até 45% da produção nacional

A participação do etanol de milho na matriz de biocombustíveis do Brasil deve crescer consideravelmente nos próximos anos. De acordo com Amaury Pekelman, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), a previsão é que essa matéria-prima alcance de 40% a 45% da produção nacional de etanol na próxima década.
O etanol a partir do milho começou a se destacar no Brasil em 2017 e, nos últimos cinco anos, o setor registrou um crescimento médio de 37% ao ano. Atualmente, o milho representa cerca de 30% da produção de etanol no país, enquanto a cana de açúcar responde por 70%.
✨ Pekelman projetou que o etanol de milho pode chegar a até 45% da produção nacional nos próximos dez anos, afirmando: 'Estamos projetando um crescimento significativo para o setor'.
A dualidade entre milho e cana na produção de etanol é notável, já que, independente da matéria-prima, o produto final é o mesmo e pode ser utilizado nos veículos ou adicionado à gasolina. A diferença está nos custos e na disponibilidade das matérias-primas, sendo que usinas flex podem escolher entre milho e cana conforme as condições do mercado.
Nos últimos anos, a porcentagem de etanol misturada à gasolina no Brasil passou de 27% para 32%, com a possibilidade de aumentar para 35%, conforme novos estudos sejam realizados. Pekelman alerta que a estabilidade dessa mistura é crucial para atrair novos investimentos no setor.
Além do etanol, a produção de milho também gera coprodutos, como o DDG, que é utilizado na alimentação animal. Esse coproduto tem se mostrado benéfico para acelerar o crescimento do gado.
As usinas de etanol de milho estão em sua maioria no Centro-Oeste, regiões que concentram a produção de milho e o rebanho. Pekelman observa que a proximidade entre as usinas e a matéria-prima minimiza problemas logísticos, além de oferecer uma alternativa estabelecida para a comercialização do milho através de contratos de longo prazo.
O uso de etanol pode se expandir para outros setores, como a aviação. Pekelman menciona o potencial do etanol como matéria-prima para a produção de combustível sustentável para aviação (SAF), embora esse processo envolva tecnologia adicional.
Apesar dos avanços, Pekelman ressalta que o aumento nos custos de produção e as condições do mercado continuam a pressionar os produtores. Ele também destaca a importância de manter uma política de apoio aos biocombustíveis e garantir um ambiente de segurança para os investidores.
Por fim, Pekelman acredita que a produção atual, estimada em 10 bilhões de litros, pode dobrar na próxima década, reforçando que a expansão do setor de biocombustíveis criará mais demanda pelo milho no Brasil.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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