Produtores devem agir com cautela nos contratos de energia entre 2027 e 2029.

O fenômeno El Niño, que promete ser um dos mais intensos desde 1950, está introduzindo uma nova variável ao planejamento financeiro do agronegócio: o custo da energia elétrica nos próximos anos. Além dos impactos sobre chuvas, temperaturas e produtividade, o fenômeno pode afetar a geração de eletricidade e aumentar a volatilidade dos preços.
Produtores rurais e agroindústrias devem acompanhar de perto os contratos de fornecimento para 2027 a 2029, especialmente em operações que dependem de irrigação, refrigeração e armazenagem. O alerta climático aumentou em outubro, com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) afirmando que há 95% de chance de o El Niño alcançar uma intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
✨ Em setembro, a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial apresentou uma anomalia de 2,08°C, a segunda maior em 76 anos, refletindo a força do fenômeno.
Ainda segundo as previsões do Inmet, os efeitos do El Niño não serão uniformes no Brasil: o boletim aponta que o centro-norte do país terá maior risco de estiagem e temperaturas elevadas, enquanto o Sul poderá enfrentar chuvas acima da média e cheias. Municípios sob seca extrema aumentaram de quatro para 24, enquanto aqueles em seca severa subiram de 153 para 197 entre agosto e setembro.
No Nordeste, 16% do território já está enfrentando seca grave, o que gera preocupações com o abastecimento de água e atividades agropecuárias. No setor elétrico, as mudanças no regime de chuvas podem impactar a disponibilidade hídrica dos reservatórios e, consequentemente, a geração hidrelétrica.
Um El Niño forte não garante necessariamente aumento nos custos de eletricidade, mas ressalta a importância de monitorar a oferta e demanda. Observar o cenário se torna crucial, já que custos de energia no Brasil cresceram significativamente nos últimos anos, com aumentos expressivos nos contratos de longo prazo.
A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) relatou um aumento de 59% nos contratos de longo prazo entre janeiro de 2024 e março de 2026, enquanto operações trimestrais tiveram um aumento de 121%. Nos contratos para janeiro de 2027, por exemplo, os preços fecharam a R$ 321,06/MWh, evidenciando a volatilidade do setor.
Além disso, com a abertura gradual do mercado livre de energia, os produtores precisam estar atentos às mudanças e oportunidades de negociação que podem impactar seus custos a longo prazo. O planejamento e a análise contínua das condições do mercado são fundamentais para garantir a rentabilidade em meio a incertezas climáticas.
As previsões de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para um crescimento da produção agrícola, exigindo também um planejamento cuidadoso da infraestrutura de suporte como secagem, armazenagem e irrigação. A necessidade de energia para essas operações justifica ainda mais a análise dos contratos e estratégia de fornecimento.
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